Professores bloqueiam acessos ao Estádio Azteca e intensificam manifestações contra a Copa
Milhares de professores realizaram manifestações próximas ao Estádio Azteca, palco da partida de abertura entre México e África do Sul, exigindo reajustes salariais de até 100% e adotando ações que complicam a realização do torneio. Os protestos incluíram bloqueios de vias de acesso, ocupações de espaços públicos e confrontos com forças de segurança.
A mobilização é liderada pela Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), grupo dissidente do principal sindicato da categoria, que exige o aumento salarial de 100% recusado pelo governo federal por ser considerado inviável. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE), mais moderado, pede reajuste de 13% para o período, citando perda do poder de compra devido à inflação.
Os atos concentram professores da educação básica, incluindo grande número de trabalhadores com contratos parciais. Entre as reivindicações estão, além do aumento salarial, críticas a políticas educacionais e a regras previdenciárias do governo.
As manifestações aproveitaram a visibilidade internacional trazida pela Copa para ampliar a pressão. Entre as ações registradas estão a ocupação da fan zone montada no Zócalo, bloqueios de ruas e avenidas importantes, derrubada de esculturas de jogadores instaladas para o evento e queima de camisas gigantes. Em várias ocasiões os manifestantes deixaram mensagens como “se não houver solução, a bola não rola”.
Houve relatos de confrontos entre manifestantes e policiais, com utilização de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança. Um grupo invadiu o Ministério da Educação, onde foi registrado um incêndio no saguão do prédio. A presidente Claudia Sheinbaum classificou as ações como uma “provocação” e afirmou que nem todos os envolvidos seriam professores, atribuindo parte da violência a grupos radicais. Ainda assim, o governo optou por evitar uma repressão mais dura diante da atenção internacional.
Os impactos econômicos e logísticos também já são sentidos na capital, com estimativas de prejuízos na ordem de R$ 119 milhões devido a bloqueios, interrupções e atos de vandalismo, além do cancelamento de atividades organizadas pela FIFA em pontos oficiais da cidade.
Fonte: G1


