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quarta-feira, junho 17, 2026

16/06/2026 — Sem encontro público entre Lula e Trump no G7, Brasil mira negociação sobre novo pacote de tarifas dos EUA

Sem encontro público entre Lula e Trump no G7, negociações sobre tarifas seguem a nível ministerial

O governo brasileiro mantém como prioridade a negociação das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos no início de junho, apesar de não ter havido encontro público entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump durante a cúpula do G7 em Évian, na França, em 16/06/2026. As tratativas prosseguem sobretudo por meio de canais ministeriais.

O novo pacote anunciado pelo governo americano prevê uma tarifa geral de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros. Além disso, um decreto subsequente cita 60 países — entre eles o Brasil — por suposta falha em proibir ou fiscalizar a importação de bens produzidos com trabalho forçado, propondo uma sobretaxa adicional de 12,5%, o que poderia elevar a taxação potencial para 37,5% em alguns casos. Os EUA também divulgaram ampla lista de exceções; no caso brasileiro, os itens excluídos representam cerca de 60% das exportações do país para o mercado americano.

Autoridades brasileiras e representantes comerciais têm argumentado que a nova medida tem caráter político, e que desconsidera argumentos técnicos apresentados nas últimas semanas. Segundo o governo, as negociações seguem em aberto e, pela legislação americana, a investigação do Escritório de Comércio (USTR) ainda precisa ser concluída, com consultas públicas antes de qualquer medida definitiva.

Houve avanço anterior em novembro de 2025, quando a Casa Branca retirou a tarifa de 40% aplicada a diversos itens exportados pelo Brasil. A reaplicação de medidas alinha-se, segundo observadores, a um padrão adotado por Trump: usar tarifas como instrumento de pressão em disputas comerciais e diplomáticas.

Analistas do BTG Pactual, Luiza Paparounis e Francisco Lopes, avaliaram recentemente que “o impacto econômico direto tende a ser limitado, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e abrange parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos”.

O uso de tarifas por parte da administração americana já atingiu outros parceiros, como União Europeia, China, Canadá e México. Em episódios anteriores, como as tarifas de 2018 sobre aço e alumínio, Washington chegou a negociar sistemas de cotas ou exceções bilaterais.

O presidente Lula afirmou que enviaria nova carta a Trump para tratar do tema e criticou o tratamento dado ao Brasil, declarando: “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”.

Com a agenda do G7 reunindo diversos temas econômicos e geopolíticos, a ausência de diálogos públicos entre os dois presidentes não impede que o governo brasileiro busque fortalecer relações com outras grandes economias e a União Europeia durante o encontro.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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