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quarta-feira, julho 29, 2026

23/07/1982 — Moratória aprovada pela CBI permitiu recuperação de populações de baleias

Uma decisão internacional tomada em 23/07/1982 marcou o início da recuperação de várias espécies de cetáceos que estavam à beira da extinção. A Comissão Baleeira Internacional (CBI) aprovou, nessa data, uma moratória que suspendeu a caça comercial de grandes baleias, medida que entrou em vigor na temporada 1985/1986 e passou a determinar cotas zero para a captura comercial.

Histórico da caça e da regulamentação

A caça às baleias intensificou-se do século XIX ao XX com o uso de navios-fábrica e arpões projetados para pesca em escala industrial. Estima-se que mais de 2,9 milhões de baleias foram abatidas entre 1900 e 1999, provocando quedas significativas em populações como as da baleia-azul, baleia-franca, baleia-fin e baleia-jubarte.

Em 1946, quinze países assinaram a Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira, criando a Comissão Baleeira Internacional (CBI), mas as cotas aplicadas nas décadas seguintes não foram suficientes para reverter o declínio.

A votação que levou à moratória

Após pressão de cientistas, governos e organizações ambientalistas — incluindo o Greenpeace — a CBI aprovou a moratória em 23 de julho de 1982. A proposta, apresentada pelas Seychelles, obteve 25 votos favoráveis, sete contrários e cinco abstenções, alcançando a maioria qualificada necessária para sua adoção.

Recuperação no Brasil

O Brasil é um dos exemplos mais notórios dos efeitos da proibição. Segundo o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), a população de baleias-jubarte que visita o litoral brasileiro passou de cerca de 2 mil indivíduos, em 1986, para aproximadamente 35 mil na atualidade. Entre junho e novembro essas jubartes percorrem mais de 4 mil quilômetros, saindo das águas da Antártica rumo à costa brasileira para reprodução.

As principais áreas de concentração das jubartes no país incluem o Banco dos Abrolhos, entre Bahia e Espírito Santo, além de trechos do litoral do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Desde 1987, a caça de cetáceos é proibida no Brasil.

Turismo, benefícios ecológicos e ameaças

A retomada das populações impulsionou o turismo de observação em pontos como Abrolhos, Arraial do Cabo e Baía de Guanabara. Imagens de drones registraram grupos de baleias-jubarte em locais como Praia Grande, em Arraial do Cabo (RJ), durante a temporada.

Apesar da recuperação, as baleias continuam sujeitas a riscos causados por atividades humanas: acidentes com embarcações, emalhamento em redes de pesca, poluição por plásticos, poluição sonora nos oceanos e mudanças climáticas. Além do valor para a biodiversidade, as baleias contribuem para o funcionamento dos ecossistemas marinhos ao transportar nutrientes entre camadas de água, favorecer o fitoplâncton e participar do ciclo natural de captura de carbono.

Fonte: Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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