Moratória de 23/07/1982 permitiu recuperação de populações e estimulou turismo no litoral brasileiro
A aprovação da moratória internacional que proibiu a caça comercial de grandes baleias, em 23/07/1982, abriu caminho para a recuperação de várias espécies em oceanos ao redor do mundo e tornou o Brasil um exemplo desse processo, sobretudo no caso das baleias-jubarte. A data também é lembrada no Dia Internacional das Baleias e dos Golfinhos, celebrado em 23 de julho, que marca a decisão tomada pela Comissão Baleeira Internacional (CBI).
Apresentada pelas Seychelles, a proposta de moratória alcançou a maioria necessária na CBI com 25 votos a favor, sete contra e cinco abstenções. A medida entrou em vigor na temporada 1985/1986, estabelecendo cota zero para a captura comercial de grandes baleias e criando condições para a recuperação de populações que vinham sendo dizimadas pela caça.
Historicamente, a caça às baleias se intensificou entre os séculos XIX e XX com a introdução de navios-fábrica e canhões-arpão. Entre 1900 e 1999, estima-se que mais de 2,9 milhões de baleias foram abatidas, o que levou a quedas drásticas em espécies como a baleia-azul e a baleia-franca.
No Brasil, o efeito da moratória é visível nas estimativas populacionais das jubartes que utilizam o litoral para reprodução: de cerca de 2 mil indivíduos em 1986 para aproximadamente 35 mil atualmente, segundo dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ). Esse crescimento contribuiu também para o desenvolvimento do turismo de observação de baleias em regiões costeiras do país.
Cidades e áreas como Abrolhos e Arraial do Cabo passaram a atrair visitantes interessados em acompanhar a migração anual das jubartes, beneficiando economias locais ligadas ao ecoturismo. Ainda assim, a recuperação não eliminou ameaças: as populações continuam sujeitas a riscos provocados por atividades humanas, como colisões com embarcações e poluição marinha.
A moratória aprovada em 23/07/1982 é apontada como marco que possibilitou a reversão da tendência de declínio de várias espécies de grandes baleias, ao mesmo tempo em que expõe a necessidade de ações contínuas para mitigar os impactos humanos sobre esses animais.
Fonte: Uberlandianofoco


