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sexta-feira, maio 1, 2026

26/04/1986: Cientista monitora labirinto radioativo sob o reator 4 de Chernobyl

Pesquisador faz inspeções mensais em rede subterrânea altamente contaminada

Quem: Anatolii Doroshenko, pesquisador de 38 anos do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP).

O que: Doroshenko realiza inspeções periódicas em uma complexa rede de salas e corredores localizados cerca de 10 metros abaixo do reator 4 da usina de Chernobyl. O local abriga centros de controle e monitoramento que sobreviveram à explosão.

Quando: A explosão que destruiu o reator 4 ocorreu em 26/04/1986; desde então, a área permanece contaminada e sujeita a operações de vigilância.

Onde: Na unidade 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, dentro do sarcófago e sob o Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para vedar o reator por 100 anos.

Como: O trabalho envolve revisão de equipamentos, instalação de medidores, coleta de amostras e monitoramento do combustível nuclear remanescente. Em algumas salas, os níveis de radiação exigem permanência inferior a quatro minutos; em outras áreas a entrada é proibida. Para acessar os ambientes, a equipe utiliza várias camadas de proteção — incluindo protetores de braço e calçado, respirador FFP2 com válvula e, em passagens estreitas, trajes de polietileno. Após cada saída há procedimentos de descontaminação, duchas e verificações por dosimetria; roupas impossíveis de descontaminar são destruídas.

Por quê: As inspeções visam manter a estabilidade das condições no interior do reator destruído e acompanhar processos que ocorrem no combustível nuclear inacessível diretamente. Segundo Doroshenko, a vigilância contínua é essencial para evitar que processos sem controle se iniciem no interior da unidade 4.

Os corredores subterrâneos são escuros, por vezes estreitos, e marcados por mapas de contaminação que orientam onde é seguro trabalhar. No interior há tubos com água radioativa e formações de corium — material resultante da fusão do combustível com a estrutura do reator — entre as quais a conhecida “pata de elefante”.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, cerca de 200 toneladas de combustível nuclear permanecem na unidade 4; a extração e recuperação desse material são estimadas para levar aproximadamente 40 anos. Para proteger o reator e o entorno foi erguido o Novo Confinamento Seguro, um domo metálico maior que a Estátua da Liberdade.

Doroshenko, que trabalha na usina há 12 anos, descreve sentimento intenso ao descer ao labirinto — comparável à conquista de um desafio extremo —, mas ressalta a necessidade de manter o controle e o respeito ao risco. Ele afirma que o medo, quando bem gerenciado, ajuda a seguir protocolos e evitar a acomodação diante da radiação.

Além das inspeções mensais, o pesquisador passa por exames médicos anuais e menciona que pretende continuar no posto enquanto houver substitutos qualificados; nas férias, costuma buscar repouso no mar. Ele alerta que Chernobyl não deve ser esquecido e enfatiza a importância de manter a supervisão das instalações e dos resíduos de combustível nuclear.

Referências:

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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