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quinta-feira, junho 25, 2026

Diretor do BC defende corte da Selic e diz que subir juros não resolveria choques de oferta nem reabriria Estreito de Ormuz

Paulo Picchetti, diretor de Política Econômica do Banco Central, defendeu nesta quinta-feira (25) a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano, tomada na semana passada. Picchetti afirmou que a política de juros não deve reagir de forma plena a variações de preços provocadas por choques de oferta e explicou as razões para a posição do BC.

Ao justificar o corte, o diretor comparou os choques de oferta a um hematoma, destacando que esses impactos têm dinâmica própria e inércia, e não são corrigidos apenas por mudanças na taxa básica. Ele ressaltou que uma elevação acentuada da Selic não alteraria fatores externos relevantes para a inflação corrente, citando o fechamento do Estreito de Ormuz devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã e o fenômeno El Niño como exemplos.

“É como um hematoma, leva uma pancada e fica roxo. Tem sua dinâmica, sua inércia, não tem muito o que você pode fazer no caminho para tirar ele, não tem um remédio que pode tomar. Desaparece se não houver outro choque”, disse Picchetti.

“Se a gente dobrasse ou triplicasse a Selic, não ia abrir estreito de Ormuz, não ia fazer o El Nino mudar de ideia e deixar de nos visitar esse ano. Mas causaria volatibilidade”, acrescentou o diretor do Banco Central.

Picchetti reafirmou que o BC segue o conceito de “horizonte relevante” da política de juros — isto é, buscar a meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, considerando a inflação encerrada 18 meses à frente. Ele explicou que, embora os comunicados do BC tenham citado o primeiro trimestre de 2028, esse período não representava o horizonte relevante desta reunião do Copom, cujo horizonte considerado era o ano de 2027 fechado. A menção a 2028 serviu para mostrar projeções que recuam mais fortemente pela dissipação dos choques externos.

“Foi uma situação especial que levou a gente a chamar a atenção a isso. Ali era um hematoma desaparecendo. A gente não esta alongando o horizonte relevante, a não pretendemos fazer isso”, afirmou o diretor.

O texto também explicou como o Banco Central define a taxa de juros: pelo regime de metas de inflação. Desde o início de 2025, com o sistema de meta contínua, a meta central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O BC toma decisões com base nas projeções de inflação futuras, e não apenas na variação corrente dos preços, porque mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para ter efeito pleno na economia.

No horizonte considerado, o Banco Central está, em tese, mirando o ano de 2027 fechado. Para esse período, o mercado financeiro estimou na semana passada um IPCA de 4,15%, enquanto o BC projeta 3,7%. Apesar do intervalo de mercado ficar acima da meta central, o BC optou por reduzir os juros nas duas últimas reuniões do Copom.

O comunicado do Banco Central sobre a redução da Selic afirmou que “trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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