O frio intenso registrado em São Paulo nas últimas semanas de junho tem provocado redução na qualidade e na disponibilidade da banana nanica, aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As temperaturas mais baixas e a menor incidência de luz solar vêm afetando o desenvolvimento e a aparência da fruta na principal região produtora.
Impactos na produção e no mercado
Segundo o Cepea, o estresse térmico conhecido como chilling ocasionou escurecimento da casca da banana nanica, comprometendo seu aspecto visual. Apesar dessa alteração estética, a comercialização não foi interrompida, já que o circuito de venda continua absorvendo os lotes disponíveis.
Além do efeito sobre a aparência, o frio tem retardado o processo de maturação dos bananais, o que levou ao adiamento das colheitas e a uma redução na oferta colocada no mercado. A situação é agravada pelo fato de outras regiões produtoras, como Santa Catarina, também enfrentarem condições climáticas desfavoráveis, limitando o suprimento nacional.
A demanda pela banana nanica manteve-se ativa ao longo do período, e o mercado conseguiu escoar os volumes que estavam em disponibilidade. A limitação simultânea em diferentes origens contribuiu para evitar rupturas mais significativas no curto prazo.
No caso da banana prata, os efeitos observados foram menos severos: houve diminuição no calibre dos frutos, porém sem alterações perceptíveis na cor da casca. Essa característica ajudou a sustentar preços elevados em algumas áreas, mesmo diante de uma leve redução da procura no final do mês.
O atual quadro evidencia a sensibilidade da cadeia produtiva da banana às condições climáticas. Com a persistência do frio nas regiões produtoras, produtores e operadores do mercado seguem monitorando o ritmo de maturação das lavouras e a evolução dos preços, que deverão sofrer influência direta do clima nas próximas semanas.


