Praga invasora encontrada em lavoura de soja em São José do Rio Preto
A espécie invasora Amaranthus palmeri, conhecida como caruru‑gigante, foi detectada pela primeira vez no estado de São Paulo em uma plantação de soja na região de São José do Rio Preto. A constatação levou à interdição imediata da área e provocou a deflagração de uma operação emergencial de erradicação, em razão do potencial destrutivo da planta.
Equipes de defesa agropecuária classificaram a ocorrência como emergência fitossanitária. No local foram observados pendões com mais de um metro de altura. Estudos da Embrapa citados pelas autoridades indicam que o caruru‑gigante pode reduzir a produtividade em mais de 70% na soja e atingir perdas de até 91% no milho.
As características da espécie agravam o risco: crescimento de até 7 centímetros por dia e produção potencial de até um milhão de sementes por planta. Além disso, a planta demonstra resistência à maioria dos herbicidas comercialmente disponíveis, o que limita as opções de controle químico.
A principal hipótese dos técnicos é de introdução acidental das sementes no local. A suspeita é de que elas tenham caído de um veículo, germinado e formado um banco de sementes no solo. Amaranthus palmeri não é nativa do Brasil; a primeira identificação no país ocorreu em 2015, no Mato Grosso, e até então a ocorrência estava restrita aos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No exterior, a espécie já tem histórico de grande impacto: nos Estados Unidos é considerada a principal planta daninha e chegou a ser eleita “planta do ano” em 2014, pelo impacto causado nas lavouras.
As autoridades informam que a única medida considerada totalmente eficaz no controle imediato é a erradicação manual: arrancar as plantas, ensacar o material e incinerar para eliminar as sementes. Desde a confirmação do foco, equipes estaduais realizam vistorias em propriedades num raio de 10 quilômetros ao redor do ponto inicial, para checar se houve disseminação.
Produtores manifestaram preocupação com a descoberta. Luiz Forest, que cultiva soja há 11 anos, afirma que a orientação operacional tem sido alertar as equipes para comunicar a defesa agropecuária ao identificar a praga, realizar a erradicação e evitar a disseminação das sementes por implementos agrícolas.
As recomendações oficiais dirigidas aos agricultores paulistas incluem notificar imediatamente a defesa agropecuária diante de qualquer suspeita, restringir o trânsito de pessoas e máquinas nas áreas afetadas e realizar limpeza minuciosa de equipamentos, ferramentas, pneus e calçados, em razão do transporte fácil das sementes.
As autoridades reforçam que a colaboração dos produtores é fundamental para conter a propagação e reduzir o risco de prejuízos ao agronegócio paulista.
Com informações de G1

