Setor aponta risco a exportações caso proposta de tarifa seja aplicada
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos correm o risco de serem afetados se for implementada a tarifa adicional sugerida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Segundo a entidade, esses produtos somam US$ 14,9 bilhões em exportações.
A estimativa da CNI foi divulgada no dia em que têm início audiências públicas em Washington sobre a proposta do governo americano. A entidade citou, entre os itens que poderiam sofrer impacto, produtos como ferro‑gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
O USTR sustenta que o Brasil adota práticas consideradas desleais pelos empresários dos EUA em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. O governo brasileiro rejeitou formalmente essa tese em documento encaminhado na semana anterior ao governo americano.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a aplicação de uma tarifa adicional de 25% não tem justificativa jurídica, econômica ou estratégica e defendeu que diálogo e cooperação bilateral são o caminho mais apropriado para manter relações sólidas entre os dois países.
Posicionamento do governo e negociações
O governo brasileiro optou por não se inscrever para falar nas audiências públicas que começaram nos Estados Unidos, mas a embaixada em Washington enviará representantes na condição de observadores, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A avaliação oficial é de que as audiências não são o fórum adequado para negociações substantivas, que vinham ocorrendo em reuniões técnicas e de alto nível.
Na semana anterior, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, manteve conversa com o representante do escritório comercial dos EUA, Jamieson Greer. O governo brasileiro disse ter apresentado uma proposta para tratar os seis pontos levantados pelos EUA, mas ainda não obteve resposta formal.
O prazo para um acordo entre Brasil e Estados Unidos foi fixado para 15 de julho, e autoridades brasileiras afirmam estar em negociações intensas para evitar a imposição das tarifas. Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam, nos bastidores, que a recomendação do USTR tem motivações políticas e despreza argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano.
Fonte: G1


