O pós-colheita de grãos — incluindo etapas como secagem, armazenagem e controle de qualidade — tem ganhado papel central na competitividade do agronegócio brasileiro, aponta levantamento da MOTOMCO. Com margens pressionadas e exigências de mercado em elevação, práticas e tecnologias aplicadas após a colheita podem influenciar de forma direta a rentabilidade das safras.
Umidade dos grãos e suas consequências econômicas
De acordo com os dados citados pela MOTOMCO, cerca de 58,3% dos descontos praticados na recepção da soja têm origem no excesso de umidade. Essa condição reduz o peso líquido comercializável e, consequentemente, a receita do produtor.
No recorte regional, a situação varia: na Região Sul, 63,5% das cargas de soja chegam ao comprador com teor de umidade entre 12% e 15%; já no Centro-Oeste, 48,3% das cargas apresentam umidade superior a 17,8%, o que exige secagem adicional e resulta em descontos. Em cenários climáticos adversos, os níveis de grãos avariados podem superar 30%, ampliando as perdas financeiras.
Monitoramento e perdas silenciosas
Especialistas ouvidos no estudo alertam que muitos produtores não têm clareza sobre as perdas na etapa pós-colheita. Falta de sistemas de monitoramento faz com que decisões importantes sejam tomadas com base apenas em inspeções visuais, o que pode mascarar perdas relevantes.
Roney Smolareck, engenheiro agrônomo da MOTOMCO, aponta que a resistência à adoção de tecnologias é, em grande parte, de ordem cultural. Propriedades com práticas mais tradicionais tendem a incorporar inovações mais lentamente, o que pode comprometer sua competitividade frente a quem investe em gestão e tecnologia.
Transformação impulsionada pela nova geração de produtores
Regiões como o MATOPIBA já registram mudança de postura entre produtores mais jovens e conectados, que valorizam gestão de dados e entendem que pequenas perdas repercutem no resultado financeiro final da safra. Essa mentalidade vem se estendendo também a propriedades tradicionais, que começam a enxergar a eficiência pós-colheita como componente da rentabilidade, além da mera produtividade.
Além disso, a maior exigência dos mercados consumidores por rastreabilidade e manutenção de atributos dos grãos tem estimulado a adoção de tecnologias na pós-colheita, influenciando diretamente na qualidade e no preço final dos produtos.


