A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) elevou a projeção para o mercado brasileiro em 2026 e agora prevê que os emplacamentos ultrapassem a marca de 3 milhões de veículos no ano, o que não ocorreria desde 2014.
A expectativa da entidade é de crescimento de 11,7% nas vendas em relação a 2025, revisão bem acima da previsão anterior, divulgada em janeiro, de alta de 2,7%. O avanço é puxado sobretudo pelo segmento de automóveis e comerciais leves, cuja previsão de expansão foi corrigida para 12,6%. Em contrapartida, caminhões e ônibus devem terminar o ano com queda estimada em 6%.
A Anfavea também revisou para cima a projeção de produção: a alta esperada passou de 3,7% para 5,8% ante 2025, o que colocaria a fabricação brasileira em cerca de 2,8 milhões de veículos em 2026, o maior volume desde 2019.
Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, o mercado interno permanece aquecido e tem contribuído para uma leve recuperação do emprego. Ele observa, porém, que parte dessa retomada vem sendo absorvida por veículos importados. A entidade aponta como fatores que incentivam as compras externas alíquotas de importação abaixo da média internacional e a isenção de imposto para veículos eletrificados montados em sistema SKD (semidesmontados).
Desempenho no primeiro semestre
Os dados do primeiro semestre reforçam a tendência de alta: entre janeiro e junho foram produzidos 1,372 milhão de veículos, aumento de 8,8% sobre o mesmo período de 2025 — o melhor resultado para o período desde 2019.
As vendas de automóveis cresceram 23,7% no semestre, o equivalente a 208 mil unidades a mais em relação ao ano anterior. Desse total, cerca de 73 mil vendas são atribuídas ao programa Carro Sustentável, voltado a veículos de entrada. Outros 130 mil emplacamentos vieram do aumento de modelos eletrificados, sendo aproximadamente 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados. Em junho, veículos eletrificados atingiram participação recorde de 20,9% das vendas de veículos leves.
O mercado de pesados segue mais fraco: no acumulado do semestre, as vendas de caminhões caíram 10,5% e as de ônibus recuaram 11,6%, apesar de junho ter registrado o melhor desempenho do ano para esses segmentos.
Exportações e importações
Enquanto o mercado interno se aquece, as exportações continuam em retração. Em junho, os embarques foram 26,7% inferiores aos registrados em igual mês do ano anterior. No semestre, o Brasil exportou 216,6 mil veículos, queda de 21,2%. A Anfavea aponta como causas a redução da demanda da Argentina e a concorrência de veículos fabricados na China e no México, e passou a projetar queda de 12,8% nas exportações de 2026 (em janeiro a previsão era de alta de 1,5%).
Entre janeiro e junho entraram no país 280,6 mil veículos importados, volume superior ao das exportações em cerca de 63 mil unidades. A China respondeu por metade dos veículos importados no período, e, em apenas um ano, o número de automóveis chineses vendidos no Brasil dobrou, passando de aproximadamente 70 mil para 140 mil unidades, segundo a Anfavea.
Fonte: G1


