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sexta-feira, março 6, 2026

É tempo de colher macadâmia em São Paulo; safra pode crescer 50%

Produtores esperam recuperação após quebra de 80% em 2024

A colheita da macadâmia, noz originária da Austrália, começa a ser intensificada em plantações de São Paulo e produtores locais projetam aumento de produção na safra atual. Após uma queda de cerca de 80% no ano anterior, a expectativa é de crescimento em torno de 50% graças às condições climáticas recentes.

As primeiras plantações comerciais da macadâmia no Brasil surgiram na década de 1970 no estado de São Paulo, e a região de Dois Córregos destaca-se hoje como área de cultivo relevante. O processo de maturação do fruto ocorre de dentro para fora: mesmo com a casca externa ainda esverdeada, o interior já pode estar maduro. Com o tempo, a casca externa seca, escurece e se abre, expondo a casca dura da noz.

O ciclo descrito pelos produtores leva cerca de 15 dias para que o fruto maduro caia da árvore, e mais sete dias para que a primeira casca comece a se abrir. A colheita é realizada manualmente em muitas propriedades, inclusive em fazendas com extensão significativa — uma das visitadas tem 400 hectares — e se estende de fevereiro a setembro.

O produtor Thomas Augusto Magro atribuiu a perda de 80% na safra anterior às condições de tempo durante a florada, no inverno de 2024. Segundo ele, o período registrou altas temperaturas e baixo índice pluviométrico. “Já vínhamos de um cenário de pouca precipitação desde o início do ano. Quando chegou o inverno com temperaturas elevadas, a flor acabou queimando com a intensidade do sol, e tivemos uma quebra de praticamente 80% na safra”, afirmou.

Historicamente, cerca de 60% da produção brasileira de macadâmia destinava-se ao mercado externo, mas empresas do setor têm buscado atender também a demanda interna em crescimento. O produto é versátil: rico em fibras, proteínas e vitaminas, é usado na culinária e na indústria cosmética.

Para muitas famílias, a safra é fonte principal de renda. É o caso de Luciana Maria da Silva, que veio de Pernambuco e encontrou na colheita da macadâmia o primeiro emprego e a renda familiar.

Em outra propriedade, na cidade de Bocaina, a colheita é semimanual. O produtor Edwin Montenegro relatou que investiu na transição para a macadâmia orgânica e aponta o mato alto como indicativo de que não há uso de defensivos químicos. A decisão pela produção orgânica, segundo ele, foi iniciada em 2022 após 20 anos de cultivo convencional.

Após a colheita, os frutos seguem para a indústria, onde passam por etapas que incluem quebra e separação da casca, seleção, limpeza, torra, pesagem e embalagem, processo que visa garantir qualidade do produto até o consumidor final. Edwin afirmou estar otimista com a safra atual e ressaltou que a melhora nas chuvas contribui para a previsão de aumento de cerca de 50% na produção.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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