O Brasil e a Coreia do Sul assinaram acordos bilaterais que ampliam a cooperação em comércio e em minerais considerados estratégicos. O anúncio foi feito pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, nesta segunda-feira (23 de fevereiro de 2026), durante visita oficial que fortalece as relações entre os dois países.
Segundo Lee, os governos definiram um plano de quatro anos para orientar parcerias em áreas políticas, econômicas e de intercâmbio cultural. O presidente sul-coreano também destacou o aumento do turismo de brasileiros à Coreia do Sul — registrado em 25% nos últimos anos — e reforçou a intenção de ampliar trocas culturais.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que, além dos temas econômicos e de minerais críticos, foram firmados compromissos em saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e no combate ao crime organizado transnacional. Lula apontou que há potencial para parcerias em segmentos de alta tecnologia, citando semicondutores e inteligência artificial, e avaliou que setores como cosméticos e audiovisual podem ser dinamizados por novas colaborações.
Sobre o comércio de carnes, o presidente informou que tratou com Lee da conclusão de procedimentos sanitários que permitiriam a exportação de carne bovina brasileira para a Coreia do Sul, o que, segundo Lula, beneficiaria consumidores coreanos. O presidente também afirmou que trabalhará pela retomada das relações entre a Coreia do Sul e o Mercosul.
Contexto da visita e relações bilaterais
Esta é a terceira viagem de Lula à Coreia do Sul — ele esteve no país em 2005 e 2010 — e a primeira com status de visita de Estado, o que confere maior peso político e diplomático às agendas. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva (Janja), acompanhou o presidente até a Índia, mas seguiu para a Coreia do Sul separadamente para cumprir compromissos com a primeira-dama sul-coreana.
Nos últimos meses, Lula e Lee se encontraram em duas ocasiões: em junho de 2025, durante a cúpula do G7 no Canadá, e em novembro de 2025, na reunião do G20 na África do Sul. Fontes do Ministério das Relações Exteriores relataram afinidade entre os dois líderes nas conversas mantidas.
Espera-se a assinatura de um “Plano de Ação 2026-2029” que formalize um nível mais estratégico de cooperação e identifique áreas prioritárias, além de incluir trocas de avaliações sobre o cenário geopolítico internacional. A visita integra a estratégia brasileira de ampliar a presença na Ásia, diversificar parceiros comerciais, aumentar exportações e atrair investimentos.
Relações econômicas e culturais
Atualmente, a Coreia do Sul é um parceiro econômico relevante para o Brasil. Desde 2024, foram anunciados cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos sul-coreanos no Brasil, dos quais quase 80% direcionados à indústria de transformação. Em 2025, o comércio bilateral totalizou US$ 10,8 bilhões, com superávit de US$ 174 milhões para o Brasil. Entre os países asiáticos, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial do Brasil e ocupa a 13ª posição no ranking global.
Na esfera cultural, a presença sul-coreana no Brasil cresceu por meio do k-pop, de séries e do cinema, além da popularização de hábitos e produtos de beleza conhecidos como “K-beauty”. A maior demanda por itens e tecnologias de cuidados com a pele estimulou o interesse de empresas brasileiras pelo desenvolvimento de fórmulas e inovações coreanas.
As tratativas e os acordos assinados nesta visita marcam um momento de aproximação que deve orientar as relações comerciais, tecnológicas e culturais entre Brasil e Coreia do Sul nos próximos anos.
Com informações de G1

