A colheita do milho safrinha no Oeste do Paraná segue em andamento, porém encontra dificuldades provocadas pelo alto teor de umidade dos grãos, que reduz o ritmo de incorporação da safra e aumenta os custos operacionais. Até o momento, entre 24% e 25% da área destinada à colheita já foi colhida, percentual considerado inferior ao esperado em condições climáticas mais favoráveis.
Quem: produtores da região e a equipe técnica liderada por Ernani José Benincá, economista e técnico agrícola da Klug Corretora. O que: avanço da colheita do milho safrinha. Onde: Oeste do Paraná. Quando: fase atual da safra em curso.
Ritmo de trabalho e limitação na recepção
Segundo Benincá, o principal entrave é o excesso de umidade nos grãos, que tem reduzido o ritmo diário de colheita para cerca de 2% da área por dia. Esse ritmo é inferior ao observado em safras anteriores, quando, em dias mais secos, a colheita podia evoluir a uma taxa próxima a 4% por dia. O técnico ressalta que o gargalo não está tanto na operação das colhedoras, mas na capacidade de recebimento das unidades armazenadoras, comprometida pela lentidão do processo de secagem.
Secagem e elevação de custos
O teor elevado de umidade obriga maior tempo de permanência nos secadores e, consequentemente, reduz a capacidade operacional das unidades de armazenagem. O consumo de biomassa florestal para secagem praticamente dobrou em relação à safra anterior: passou de cerca de 33 quilos por tonelada de milho, em 2025, para aproximadamente 70 quilos por tonelada nesta safra. Além disso, houve aumento nos custos com energia elétrica para o processo de secagem.
No início da colheita, os lotes apresentavam umidade entre 28% e 30%; atualmente, os grãos têm chegado com índices entre 22% e 24%, patamares que ainda geram preocupação diante da previsão de novas chuvas.
Qualidade e produtividade
Apesar das adversidades, a qualidade do milho colhido permanece dentro dos padrões de mercado. Alguns híbridos apresentam grãos brotados, mas a parcela de grãos avariados situa-se entre 2% e 3%, nível que, conforme avaliação técnica, não deve provocar perdas significativas para os produtores.
Em relação à produtividade, houve revisão nas estimativas: nas áreas mais atingidas pelo estresse hídrico, a perda média foi estimada em 120 quilos por hectare. Ainda assim, a expectativa é que a produtividade média da safra fique entre 6.500 e 6.550 quilos por hectare, mantendo o Oeste do Paraná como uma das principais regiões produtoras do cereal no país.
Fonte: Uberlandianofoco


