Resumo: A demanda de estrangeiros por imóveis no Brasil tem crescido de forma expressiva em áreas turísticas e capitais, movimentando vendas de estúdios e apartamentos compactos e ampliando ofertas em plataformas de curta temporada. O fenômeno eleva a pressão sobre preços de aluguel e estimula debates sobre regulação.
O que: A procura de estrangeiros por imóveis no Brasil aumentou nos últimos anos, com destaque para vendas de unidades compactas e estúdios destinados a uso próprio em férias, moradia de nômades digitais ou investimento para locação de curta temporada.
Onde: Regiões como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina — incluindo Florianópolis, Bombinhas e Balneário Camboriú — aparecem como principais destinos das aquisições.
Quando: O movimento acompanha o salto no turismo estrangeiro: o país recebeu 9,2 milhões de visitantes em 2025, e os cinco primeiros meses de 2026 somaram 4,9 milhões de turistas estrangeiros. Desde 2022, ofertas de anúncios em plataformas como Airbnb mais que dobraram em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis.
Quem: Entre os compradores, destacam-se americanos, argentinos e europeus de países como França e Suíça; há também interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos e fluxo recente de russos para Santa Catarina, segundo agentes do mercado. Nomes citados no setor incluem Claudio Hermolin (presidente do Sinduscon-Rio) e Marco Aurélio Lievore (diretor regional de relações internacionais do Creci-SC).
Como: Plataformas digitais e empresas de gestão facilitaram transações e administração remota de imóveis. A Lobie relata que a participação de estrangeiros em sua carteira saltou de cerca de 2% para 18% em três anos, hoje administrando cerca de 1.620 estúdios de investidores estrangeiros. A oferta de anúncios no Brasil coloca o país em terceiro lugar mundial, atrás de EUA e França, segundo a AirDNA.
Por que: Além do apelo turístico e de eventos, fatores cambiais tornam imóveis negociados em reais mais atrativos para compradores de países com imóveis cotados em dólar; há percepção de potencial de valorização do mercado brasileiro em comparação com destinos litorâneos mais saturados. Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração permite que estrangeiros que adquirirem imóveis solicitem autorização de residência, desde que pessoas físicas comprem imóvel de no mínimo R$ 1 milhão com recursos próprios de origem externa.
Impactos e respostas: O aumento das estadias de curta temporada tem pressionado aluguéis de longo prazo e provocado reclamações de moradores sobre mudanças em condomínios. Em Florianópolis, os aluguéis subiram 9% no último ano. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que locações residenciais em condomínios para estadias dependem de autorização em assembleia aprovada por pelo menos dois terços dos condôminos.
Reações internacionais: Alguns países adotaram ou estudam medidas para conter compras estrangeiras. O Canadá proibiu aquisições por não residentes em 2023, renovando a medida em 2025 até 2027. A Espanha avalia restrições e tributos elevados para compradores fora da União Europeia, e Portugal restringiu o programa do “visto de ouro” em 2023.
O avanço das compras estrangeiras coincide com movimentos de empresas globais no mercado local, como a aquisição da Tabas pela Blueground em 2023, e com debates sobre a necessidade de regulamentação diante da pressão sobre a oferta habitacional.


