Quem: Governo dos Estados Unidos e cerca de 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil.
O que: Os EUA anunciaram a aplicação de novas tarifas sobre importações de parceiros comerciais, com alíquotas entre 10% e 12,5%, em resposta ao uso de trabalho forçado na produção de bens.
Quando: A medida foi anunciada na quinta-feira (23) e entra em vigor às 0h01 (Brasília UTC-3) desta sexta-feira (24).
Onde: A decisão foi anunciada por autoridades americanas e divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Como: As taxas foram impostas após investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Na avaliação do governo americano, países que adotaram medidas efetivas para proibir o trabalho forçado pagarão 10%; aqueles considerados sem restrições adequadas serão tributados em 12,5%.
Por quê: O USTR concluiu que a ausência de proibição ou fiscalização suficientes sobre a entrada de bens produzidos com trabalho forçado configura prática que prejudica ou restringe o comércio dos EUA, criando concorrência desleal e incentivando a manutenção de trabalho escravo moderno.
Impacto sobre o Brasil
O documento do USTR inclui o Brasil entre os países que, segundo a investigação americana, não impuseram e não aplicaram de forma efetiva uma proibição à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Por isso, o país foi classificado na faixa de 12,5%. O governo dos EUA avalia que essa omissão afeta negativamente o comércio dos Estados Unidos e justifica a sobretaxa.
Além disso, na última quarta-feira (22) os EUA já haviam imposto uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Com a nova adição de 12,5%, alguns itens brasileiros podem enfrentar uma sobretaxa combinada de até 37,5%.
Contexto e resposta brasileira
As novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada em fevereiro pelo presidente Donald Trump com base na Seção 122, cujo prazo de aplicação temporária de 150 dias termina nesta sexta-feira (24). Trump já havia sinalizado a intenção de usar a Seção 301 para tratar de práticas comerciais consideradas desleais.
O governo brasileiro já aguardava a confirmação da tarifa de 12,5% e mantém negociações com setores afetados para definir medidas de resposta. Entre as iniciativas de apoio, o Executivo vem implementando o Plano Brasil Soberano, lançado em 2025, que oferece linhas de financiamento, ampliação de garantias a exportadores e ações de promoção comercial. Na quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, liberando R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas prejudicadas pelas tarifas dos EUA, beneficiando indústrias como farmacêutica, de fertilizantes e têxtil, além de empresas com exportações para o Golfo Pérsico afetadas pelo conflito que restringiu parcialmente o Estreito de Ormuz.
Em nota, o governo brasileiro informou que dará início aos trâmites previstos na Lei de Reciprocidade para retaliar as medidas americanas.
Fonte: G1


