A cadeia da piscicultura em Minas Gerais intensificou o planejamento para garantir oferta de pescado durante a Quaresma, período em que o consumo aumenta significativamente e as vendas costumam triplicar na Semana Santa. O setor mineiro registrou expansão de 27% em 2024 e chega ao período com capacidade para suprir a demanda, segundo representantes da atividade.
Quem e o que: Pedro Rivelli, presidente da associação Peixe MG, aponta a tilápia como líder de vendas no varejo estadual, com 56,8% do volume comercializado. Em seguida aparecem camarão (12,5%), salmão (6,1%), merluza (5,4%), polaca (4,9%) e bacalhau (3,3%). Rivelli observa que, apesar do crescimento da tilápia durante a Quaresma, espécies como bacalhau e polaca concentram mais de metade das vendas anuais nesse período, evidenciando a sazonalidade do consumo.
Quando e como: A produção de tilápia exige organização antecipada porque a espécie tem maior dificuldade reprodutiva no inverno. Para atender à Quaresma seguinte, produtores realizam o alojamento dos peixes meses antes. A produção de verão, por sua vez, abastece o mercado no inverno, quando a demanda é menor.
Forte produção
A piscicultura movimenta mais de R$ 500 milhões por ano em Minas Gerais. Em 2024, o estado produziu 60,55 mil toneladas de pescado, o que representa 8% da produção continental do país, consolidando Minas como o terceiro maior produtor de peixes de cultivo no Brasil. Na tilápia, Minas responde por 11,04% da produção nacional, também ocupando a terceira posição no ranking.
Nathália Rabelo, analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, atribui o crescimento ao avanço tecnológico e à maior eficiência produtiva. Segundo ela, investimentos em manejo, controle sanitário, gestão e profissionalização elevaram a produtividade, a regularidade de oferta e a qualidade do produto ao consumidor.
O município de Morada Nova de Minas foi o principal produtor nacional de tilápia em 2024, com 30 mil toneladas, crescimento de 50% em relação a 2023. A região do Lago de Três Marias concentra mais de 50% da produção estadual e é considerada a maior área produtora de tilápia do país. Outros polos importantes são o Lago de Furnas, o Triângulo Mineiro e a Serra da Mantiqueira, esta última referência na produção de trutas. A atividade envolve cerca de 3,5 mil produtores e gera aproximadamente 20 mil empregos diretos e indiretos no estado.
Ovo é alternativa
Além dos pescados, o ovo surge como alternativa para consumidores que evitam carne vermelha durante a Quaresma. Minas Gerais produziu 514 milhões de dúzias em 2024 e, entre janeiro e setembro de 2025, registrou crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que levou o estado à segunda posição no ranking nacional, à frente do Paraná.
Nathália Rabelo ressalta que, da semana passada para esta, houve aumento de cerca de 3% nos preços dos ovos, com reajustes semanais desde o início do mês. Apesar da alta recente, os valores ainda permanecem abaixo dos registrados em 2024, indicando um movimento de recuperação e valorização do produto.
As medidas de planejamento da produção e os investimentos em tecnologia e manejo apontam para oferta regular de pescado e alternativas proteicas durante a Quaresma, sem previsão de desabastecimento no estado.
Com informações de Gazetadotriangulo

