Quase R$ 32 milhões em moedas de 1 centavo seguem guardados em residências brasileiras, segundo dados do Banco Central (BC). As pequenas unidades do real — que não são cunhadas desde 2004 — somam cerca de 3,19 bilhões de peças ainda “em circulação”, distribuídas em gavetas, bolsos e outros locais domésticos.
O número de exemplares de R$ 0,01 é próximo ao estoque das moedas de 25 e 50 centavos, que somam aproximadamente 3,88 bilhões de unidades cada. Apesar de continuarem com valor legal, as moedas de um centavo praticamente deixaram de ser usadas no dia a dia.
As últimas peças foram emitidas em 2004. Em 2005, o BC decidiu interromper a cunhagem por dois motivos: já havia mais de 3 bilhões de unidades em circulação e o custo de fabricação era considerado desproporcional. Na ocasião, a produção de 1.000 moedas custava R$ 86,53 — mais de 8 centavos por unidade. Situação parecida levou à suspensão da produção do “penny” nos Estados Unidos no fim do ano passado; em uma década, o custo para fabricar 1.000 centavos americanos subiu de US$ 1,42 para US$ 3,69.
O BC afirma que a moeda de 1 centavo figura entre as denominações que menos fazem falta nas transações. A instituição atribui a redução do uso, em parte, ao entesouramento — isto é, o acúmulo de peças pela população. Para a economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o histórico inflacionário do país ajuda a explicar o desinteresse por moedas de baixo valor. Segundo ela, por muitos anos os brasileiros entenderam que não valia a pena carregar o peso de moedas que “não valiam quase nada”.
Campanhas antigas incentivavam o pagamento de pedágios com moedas, mas a adoção de cobrança automática e novas tecnologias de pagamento reduziram a necessidade de numerário físico. O PIX já ultrapassou o dinheiro em espécie, além de cartões de crédito e débito, como meio preferido de pagamento no país. Ainda assim, o Departamento do Meio Circulante do BC não prevê a interrupção da emissão das moedas de 5 e 10 centavos.
Nem todas as moedas de 1 centavo valem apenas o montante indicado na face. Exemplares raros ou em excelente estado de conservação podem alcançar preços significativamente maiores em sites de colecionadores: valores de até R$ 100 em casos pontuais. Bruno Pellizzari, diretor-presidente da Sociedade Numismática Brasileira (SNB), explica que o valor numismático depende da tiragem, do estado de conservação e do interesse do mercado. Moedas pouco circuladas costumam valer, em média, cerca de R$ 1; peças sem circulação (“flor de cunho”) podem chegar a R$ 10.
O mercado numismático também valoriza características de cunhagem que diferenciam uma peça comum, como o erro conhecido como “boné”, quando a peça recebe a batida de forma descentralizada e parte do desenho fica sem cunhar — esse tipo de erro costuma aumentar o preço, alcançando dezenas de reais em vendas especializadas.
Fonte: G1


