Santa Catarina e a capital Florianópolis registraram avanço nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado em 5 de agosto de 2026 pelo Ministério da Educação (MEC), mas especialistas alertam que a melhoria nos números não resolve o problema da aprendizagem dos alunos.
Florianópolis foi a capital brasileira com o maior crescimento do Ideb entre as capitais, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental. Em Santa Catarina, houve evolução em todas as etapas da educação básica, com o maior avanço proporcional observado no ensino médio da rede estadual.
A Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis atribuiu o desempenho ao trabalho de professores e diretores e à adoção de medidas práticas implementadas ao longo de 2025. Segundo o secretário de Educação, Thiago Peixoto, a adoção do tempo integral para todas as turmas do 5º ano, a ampliação das aulas de língua portuguesa e matemática, a oferta de material estruturado e a formação de professores alinhada ao novo currículo contribuíram de forma significativa para os resultados.
O Ideb combina informações da taxa de aprovação do censo escolar com o desempenho dos estudantes em avaliações aplicadas a cada dois anos, com objetivo de medir a qualidade do aprendizado nas redes de ensino. No ensino médio público do país, o índice subiu de 4,1 para 4,3, alcançando o maior patamar desde 2005, mas ainda distante da meta nacional de 5,2, que deveria ter sido atingida em 2021 e não foi renovada.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que, nas últimas duas décadas, o trabalho precisou contemplar acesso, trajetória escolar e proficiência, e que a estratégia federativa coordenada pelo MEC com estados, municípios e sociedade civil deverá priorizar a melhoria da aprendizagem dos estudantes brasileiros.
Organizações independentes também manifestaram preocupação. A gerente de Políticas Educacionais da Todos pela Educação, Manoela Miranda, disse que muitos estudantes concluem etapas da educação básica com níveis de aprendizagem ainda muito baixos e defendeu que a aprendizagem seja o centro das políticas públicas nos próximos anos, com esforços articulados entre governos federal, estadual e municipal.
Especialistas ressaltam ainda que a reprovação indiscriminada aumenta o risco de abandono escolar e que sistemas de recuperação da aprendizagem são mais eficazes para permitir que os jovens avancem sem lacunas nos conhecimentos.


