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terça-feira, agosto 11, 2026

Falsa vaga de home office rende golpe de R$ 1,2 mil e vítima relata esquema em vídeo com mais de 2 milhões de visualizações

Uma trabalhadora de 26 anos, Ester Nunes, perdeu R$ 1,2 mil ao cair em uma oferta de emprego remoto que se revelou um golpe conhecido como “golpe das tarefas”. A vítima, que atua na área de Recursos Humanos, relatou em um vídeo no TikTok — que já ultrapassou 2 milhões de visualizações — o passo a passo do esquema e os valores desviados.

Segundo Ester, o contato inicial surgiu por mensagem e a proposta prometia renda extra por meio do cumprimento de tarefas online, como avaliar empresas no Google, e pagava pequenas quantias para gerar confiança. Ela fez um primeiro depósito de R$ 300 para “liberar pagamentos” e depois enviou mais R$ 900, totalizando R$ 1,2 mil. Em seguida, os golpistas exigiram um novo pagamento de R$ 2,6 mil. Ao informar que não tinha essa quantia, Ester foi informada de que perderia tudo o que já havia depositado — momento em que percebeu tratar-se de uma fraude.

Como funciona o golpe

Especialistas consultados pelo g1 descrevem a sequência típica: pagamentos iniciais pequenos para criar confiança; exibição de saldo fictício na plataforma; e pressões para depósitos via PIX sob pretexto de ampliação de lucros, operações com criptomoedas ou liberação de tarefas mais lucrativas. O criminoso orienta a vítima por aplicativos de mensagem, como Telegram, e passa a exigir transferências cada vez maiores até desaparecer.

Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, destaca também a variação de fraudes que cobram taxas por “cursos”, “certificados” ou exames admissionais, ou que solicitam selfies e documentos para posterior uso em fraude de identidade.

Alerta e estatísticas

De acordo com a plataforma SOS Golpe, as fraudes relacionadas a falsas oportunidades de emprego e promessas de renda extra cresceram 56% entre março e abril deste ano. Essa modalidade representa 17,9% das denúncias recebidas pela plataforma, atrás apenas do golpe da loja ou empresa pouco conhecida, responsável por 20,9% das denúncias.

Como agir e possibilidades de recuperação

O Banco Central oferece o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para casos de PIX. O consultor do BC, Breno Lobo, orienta acionar o banco imediatamente e ter o comprovante do PIX em mãos. A vítima tem até 80 dias a partir da transação para solicitar o MED. Após a contestação, o caso é comunicado ao banco do recebedor e pode ser analisado em até sete dias; se comprovada a fraude, o valor disponível pode ser devolvido total ou parcialmente em até 96 horas.

O mecanismo depende de haver saldo na conta do fraudador; se não houver fundos suficientes, o banco do recebedor deve monitorar a conta por até 90 dias para novas tentativas de bloqueio. O banco da vítima não é obrigado a usar recursos próprios para cobrir o prejuízo. Ester informou que registrou reclamação no Banco Central, anexou prints das conversas, comprovantes de PIX e o protocolo junto ao banco, mas ainda não teve o valor devolvido.

Orientações de prevenção

Entre os sinais de alerta apontados estão: contato sem que o candidato tenha se candidatado; abordagem por WhatsApp ou Telegram; promessa de dinheiro fácil; salário muito acima da média; pedido de PIX ou qualquer pagamento; e solicitação de documentos pessoais nas primeiras etapas.

Especialistas recomendam confirmar vagas nos canais oficiais das empresas, verificar identidade do recrutador, desconfiar de ofertas não solicitadas, nunca pagar para participar de processos seletivos, evitar baixar arquivos ou clicar em links suspeitos, e só enviar documentos após confirmação formal da vaga. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também alertou para o aumento de tentativas de obtenção indevida de dados pessoais sob o pretexto de processos seletivos.

Em nota ao g1, o Google informou que todas as oportunidades de trabalho na empresa são divulgadas exclusivamente em seu site oficial de carreiras. O Telegram foi procurado, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/08/11/golpe-das-tarefas-veja-como-uma-falsa-vaga-de-home-office-fez-uma-trabalhadora-perder-r-12-mil.ghtml

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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