Brasileira obtém uma das 120 vagas de estágio no Banco Mundial após seleção com quase 33 mil inscritos
Quem: Gabrielle Hayashi Santos, natural de Bauru (SP), graduada em Relações Internacionais.
O que: Conquistou uma das 120 vagas de estágio no Banco Mundial, em um processo seletivo competitivo que reuniu cerca de 33 mil candidatos.
Quando: Gabrielle atua como estagiária no Banco Mundial desde maio.
Onde: A estudante, que morou e estudou em diferentes países, realizou mestrado na Alemanha e teve estágio na Unesco durante esse período.
Como: A seleção incluiu envio de currículo e carta de apresentação, seguida por uma prova com estudos de caso que exigia respostas quantitativas e de raciocínio, e, por fim, uma entrevista em painel com até quatro avaliadores. Gabrielle atribui seu sucesso a um currículo bem estruturado, alinhado à vaga, e a uma carta que conectou sua experiência à missão do Banco.
Por que: A trajetória de Gabrielle reflete um interesse por políticas de desenvolvimento e carreiras internacionais, área que passou a perseguir já na graduação em Relações Internacionais. Ela afirma ter buscado oportunidades por meio de bolsas e intercâmbios, o que ampliou suas perspectivas profissionais.
Gabrielle é a primeira pessoa em sua família a falar inglês, a cursar pós-graduação e a estudar no exterior. O interesse por intercâmbios começou no ensino médio, quando passou a conseguir bolsas para cursos no exterior sobre liderança, desenvolvimento juvenil e empreendedorismo. No início, sua mãe teve receios sobre as viagens, chegando a temer até tráfico humano; com o tempo, ao conhecer melhor os programas, passou a apoiar as experiências da filha.
De origem humilde, a família de Gabrielle tem histórico de trabalho para a subsistência: o pai deixou a escola no ensino fundamental e passou por diversas ocupações, como venda de latinhas, trabalhos em filas de hospital, caminhoneiro e mecânico, voltando a concluir o ensino médio quando Gabrielle tinha seis anos. A mãe, farmacêutica, é descendente de japoneses e mudou-se de uma cidade agrícola do Mato Grosso para Bauru para estudar na mesma universidade onde Gabrielle se formou.
No curso de Relações Internacionais, Gabrielle concentrou seu interesse em temas econômicos ligados a desenvolvimento e governo, com foco em como carreiras em organismos internacionais podem impactar famílias inteiras. Para ela, os principais obstáculos para outros jovens são a fluência em inglês — requisito do trabalho — e a falta de familiaridade com cartas de apresentação. Gabrielle destaca que materiais online, tutoriais e ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar candidatos a estruturar documentos e se preparar para processos internacionais.
Atualmente no Banco Mundial, Gabrielle trabalha sob a gestão de um chefe e de uma diretora brasileiros. Um de seus objetivos é demonstrar que trajetórias de jovens brasileiros em órgãos internacionais são viáveis, desde que sejam acompanhadas de planejamento e estratégias adequadas.
Fonte: G1


