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terça-feira, agosto 11, 2026

Após proibição do foie gras, especialistas apontam outras práticas de criação e abate que podem ser banidas

Proibição do foie gras ressalta outras práticas controversas na pecuária brasileira

O Brasil proibiu, desde julho, a produção e o comércio de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, como o foie gras. A medida deixou em evidência outras práticas da pecuária que especialistas e ativistas consideram cruéis e pedem que sejam revistas ou proibidas.

A técnica usada para produzir foie gras, conhecida como gavagem, envolve a introdução de tubos na garganta de patos e gansos para fornecer grandes volumes de alimento, com o objetivo de provocar acúmulo de gordura no fígado. A proibição reacendeu debates sobre bem-estar animal e também gerou tensão comercial com a França, após acordo Mercosul-União Europeia.

Pesquisadores e representantes de ONGs destacam diversas práticas que, na avaliação deles, deveriam ser alvo de proibição ou de regulamentação mais rígida. Entre as mais citadas estão:

  • Descarte de pintinhos machos: na indústria de ovos, pintinhos machos são frequentemente mortos logo após a eclosão por trituração, asfixia ou sufocamento, por não terem valor comercial na produção de ovos. Estima-se que cerca de 85 milhões de pintinhos machos sejam mortos no Brasil a cada ano. A sexagem in ovo, tecnologia capaz de identificar o sexo antes da eclosão, é apontada como alternativa já utilizada em países como Itália e Alemanha.
  • Uso de gaiolas: galinhas poedeiras e porcas são frequentemente mantidas em gaiolas que limitam severamente seus movimentos. Especialistas afirmam que esse confinamento provoca sofrimento físico e comportamental e citam também a prática da debicagem, que remove parte do bico para reduzir ferimentos entre aves.
  • Abate de vacas grávidas e manejo de fetos: a normativa do Ministério da Agricultura prevê que fêmeas gestantes não sejam transportadas ou abatidas nos últimos 10% da gestação em condições normais. A norma estabelece ainda procedimentos sobre o tempo para remoção do feto após a sangria e orientações para impedir que fetos nascidos vivos respirem, pontos que foram criticados por especialistas.
  • Exportação de gado vivo: milhões de bovinos são transportados por via marítima para abate em outros países, com viagens que podem durar semanas em condições insalubres, levando à morte de animais durante a travessia.
  • Abate de jumentos: a exploração para mercado de peles, sobretudo para exportação à China, tem preocupado pesquisadores devido ao risco de redução populacional não monitorada.

Organizações da sociedade civil acompanham mais de 500 proposições no legislativo relacionadas a temas animais e, em abril, apresentaram a Agenda Legislativa Animal 2026, com 20 projetos prioritários. Entre as propostas apoiadas estão o fim da exportação de gado vivo, a proibição do abate de equídeos, a adoção da sexagem in ovo, rotulagem de produtos de origem animal e a inclusão do bem-estar animal como princípio na Lei de Política Agrícola (PL 2881/2024).

O PL 2881/2024 foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas depende de discussão na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde já há parecer contrário. Representantes de ONGs afirmam que a resistência no Congresso é influenciada pela bancada do agronegócio, embora mudanças também tenham ocorrido por pressões de mercados externos e por mobilização social.

A reportagem solicitou posicionamento ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa avicultura e suinocultura, mas não obteve resposta até a publicação.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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