Genebra, 25 de agosto de 2026 — A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reforçaram nesta terça-feira um apelo para que países adotem proibições e limites ao desenvolvimento e uso de armas autônomas — sistemas capazes de identificar e atacar alvos sem comando humano direto, frequentemente chamados de “robôs assassinos”.
Em declaração conjunta lida pela porta-voz da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci, os chefes das duas instituições — o secretário-geral António Guterres e a presidente do CICV, Mirjana Spoljaric — pediram regras claras para controlar essas tecnologias. As entidades não exigem banimento total de todas as variantes, mas sustentam que é necessário definir restrições antes que o emprego desses sistemas se torne mais amplo.
Segundo a ONU e o CICV, há desenvolvimento ativo de armas autônomas, embora ainda não tenham confirmação de uso em combate. As organizações alertam que a aceleração das tecnologias militares está pressionando normas internacionais existentes e ampliando a lacuna entre o que a tecnologia permite e o que a legislação consegue regular.
A declaração conjunta ressalta que a situação é urgente e exige ação prévia para proteger civis. As duas organizações afirmam que os riscos aumentaram, mesmo que as preocupações centrais permaneçam as mesmas desde o lançamento da iniciativa há três anos.
O apelo chega enquanto diplomatas se preparam para uma reunião em Genebra, marcada para novembro, dedicada ao fortalecimento da Convenção sobre Certas Armas Convencionais — um fórum considerado pelas entidades como o caminho mais viável para estabelecer regras internacionais obrigatórias sobre armas autônomas. As negociações sobre o tema têm sido longas e produziram resultados parciais até o momento.
O debate internacional ganhou intensidade à medida que drones e outros sistemas não tripulados passaram a ser empregados em conflitos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de confrontos no Oriente Médio e no Sudão. Uma foto divulgada mostra um drone de ataque de longo alcance FP-1 da Ucrânia lançado em local não revelado do país em 16 de agosto de 2026 (AP/Efrem Lukatsky).
Na Ucrânia, veículos robóticos terrestres têm sido usados principalmente para transporte de equipamento, entrega de suprimentos e retirada de feridos do front, numa tentativa de reduzir a exposição de soldados. O governo ucraniano também busca desenvolver sistemas robóticos armados para aliviar a pressão sobre a infantaria, que enfrenta desvantagem numérica em algumas frentes, embora esses projetos ainda tenham alcance limitado.
Além de organizações humanitárias, cientistas e engenheiros que trabalham com essas tecnologias também têm pedido restrições. No documento, a ONU e o CICV afirmam que, quando os próprios criadores exigem limites, os Estados não podem permanecer inertes, e concluem que 2026 precisa marcar uma mudança de rumo nas negociações internacionais sobre o tema.
Fonte: G1


