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quinta-feira, agosto 27, 2026

Governo não espera solução rápida para o “tarifão” mesmo após retomada das negociações com os EUA

Resumo: Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que não há expectativa de resolução rápida para as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, apesar da retomada das conversas entre os dois países. As negociações foram reativadas após telefonema entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump.

O que está em jogo

Em julho, os Estados Unidos aplicaram uma sobretaxa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, afirmando que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio. Em sequência, uma segunda sobretaxa de 12,5% foi anunciada após investigação sobre importações produzidas com trabalho forçado, o que faz com que alguns produtos brasileiros fiquem sujeitos a alíquotas totais de até 37,5%.

Negociadores brasileiros relatam que é difícil chegar a um acordo antes do fim do período eleitoral previsto para outubro. O governo brasileiro aguarda que os assessores de Trump apresentem uma proposta inicial com pontos a serem negociados, ou seja, que os EUA indiquem as condições que esperam do Brasil para iniciar tratativas mais detalhadas.

Entre os temas centrais está o comércio de etanol: o Brasil cobra atualmente 18% sobre etanol de milho importado dos EUA; antes do novo tarifão, os americanos aplicavam 12,5% sobre etanol brasileiro. O governo brasileiro informou que estaria disposto a reduzir a alíquota sobre etanol norte-americano caso os EUA reduzam barreiras à entrada de açúcar brasileiro. O mercado americano opera com cotas que permitem tarifa reduzida para até 155 mil toneladas por ano; volumes acima dessa cota podem enfrentar alíquota de 100%, segundo o governo brasileiro.

Próximos passos e reciprocidade

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, têm reunião virtual marcada para segunda-feira, 31 de agosto, às 14h30 (horário de Brasília). Esse encontro será a etapa inicial de uma agenda bilateral para retomar negociações técnicas sobre as barreiras comerciais impostas pelos EUA.

O governo brasileiro planeja apresentar um roteiro para dividir a discussão por setores — por exemplo, bens de capital, setor automotivo e químico — de modo a aprofundar tratativas específicas para cada área. A reunião de 31 de agosto deve ser preparatória para diálogos técnicos e futuras conversas entre ministros.

Paralelamente, o Brasil iniciou um processo interno para adotar medidas de reciprocidade em resposta às tarifas americanas. Segundo interlocutores de Lula, o governo pretende pressionar por uma solução nos próximos meses; se não houver acordo, o processo de análise poderá ser concluído e o país terá de decidir sobre a aplicação de medidas retaliatórias, incluindo tarifas sobre produtos norte-americanos.

Apesar de milhares de produtos terem sido excluídos das sobretaxas adicionais — como petróleo, café e carne bovina — setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar seguem sujeitos à alíquota máxima. A expectativa do governo é que a retomada das negociações técnicas permita ampliar a lista de exceções e mitigar os efeitos das sobretaxas sobre as exportações brasileiras.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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