Uma formulação injetável do antirretroviral cabotegravir, aplicada a cada dois meses para prevenir a infecção pelo HIV, está sendo avaliada para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento já recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, mas ainda não faz parte das opções oferecidas gratuitamente pela rede pública.
O que é e como funciona
O cabotegravir injetável é usado como profilaxia pré-exposição (PrEP) e libera gradualmente um antiviral no organismo, impedindo uma etapa necessária para que o HIV se estabeleça. O infectologista Ricardo Kores explica que a liberação lenta da substância atua bloqueando a entrada do vírus em caso de exposição.
O esquema em avaliação prevê duas aplicações iniciais com intervalo de quatro semanas entre elas, seguidas de doses de manutenção a cada oito semanas. A administração pode causar dor no local da injeção por dois ou três dias. O uso exige avaliação e acompanhamento por profissionais de saúde e a realização periódica de testes para HIV.
Embora facilite a adesão em comparação ao comprimido diário, a versão injetável não é uma vacina, pois não provoca a produção de anticorpos pelo organismo. Além disso, a PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e deve ser adotada como parte de uma estratégia combinada de prevenção, que inclui preservativos, testagem regular e acompanhamento em serviços de saúde.
Processo de avaliação para o SUS
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) abriu consulta pública para receber contribuições sobre a inclusão do cabotegravir no sistema público. A população pode participar do processo até 31 de agosto de 2026. As contribuições serão avaliadas junto às evidências científicas, aos custos e ao impacto potencial da tecnologia no SUS.
Se for incorporado, o Ministério da Saúde definirá critérios de acesso, o público-alvo e a estratégia de oferta do medicamento. Especialistas destacam como vantagem o intervalo estendido entre aplicações, que reduz o risco de interrupção do método por esquecimento do uso diário.
Contexto local e importância da testagem
Edval Cantuário, presidente da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP), afirma que cerca de 5,5 mil pessoas vivem com HIV ou Aids em Uberlândia, número que pode ser subestimado devido a casos ainda não diagnosticados. Cantuário ressalta também a evolução dos tratamentos ao longo das últimas décadas, que reduziram efeitos adversos e simplificaram a rotina de quem vive com o vírus.
Apesar dos avanços, o preconceito e o temor do diagnóstico seguem afastando pessoas dos serviços de saúde. A testagem continua sendo fundamental para identificar a infecção precocemente e iniciar o tratamento gratuito oferecido pelo SUS. Em caso de possível exposição ao HIV, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliar a melhor estratégia individual de prevenção.
Fonte: Paranaibamais


