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domingo, agosto 30, 2026

Safra maior de cana eleva oferta de etanol e pressiona preços no varejo

Aumento da produção de cana e avanço do etanol de milho ampliam oferta do combustível, mas custos de produção e cadeia logística mantêm pressão sobre os preços ao consumidor

A recuperação da safra de cana-de-açúcar e a expansão do etanol de milho têm aumentado a oferta do combustível, refletida em valores encontrados em postos de Belo Horizonte próximos a R$ 2,99. A produção esperada em Minas Gerais, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 82,5 milhões de toneladas para a safra 2026/27, alta de 7,0% em relação à temporada anterior.

A Conab aponta que o resultado combina aumento de área plantada e recuperação da produtividade dos canaviais. Produtor rural e integrante da Comissão Técnica de Cana-de-Açúcar da Faemg, Humberto de Campos Maciel, afirma que a produtividade varia conforme fatores locais como clima, solo, insolação e regime de chuvas. Segundo ele, as chuvas deste ano foram intensas e bem distribuídas, o que favoreceu o desenvolvimento das lavouras.

Humberto projeta uma safra nacional entre 5% e 7,5% maior do que a anterior, com estimativa de produção entre 640 milhões e 650 milhões de toneladas de cana. Apesar do cenário favorável à oferta, ele ressalta que a remuneração da cana também sofre influência do preço do açúcar no mercado internacional; a queda das cotações em Nova York pressionou o valor do ATR, indicador usado na remuneração, enquanto fertilizantes e outros insumos ficaram mais caros.

Especialistas destacam que avanços tecnológicos e manejo podem elevar a eficiência na produção. Adoção de variedades mais produtivas e resistentes, manejo do solo, aplicação precisa de fertilizantes, irrigação e sistemas guiados por satélite estão entre as medidas citadas. Em áreas onde essas práticas são combinadas, afirma Humberto, é possível dobrar a produtividade, passando de 80 para 160 toneladas por hectare.

Nathália Rabelo, analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, enfatiza que tecnologia precisa ser acompanhada por planejamento e assistência técnica. Ela aponta que exames de solo, seleção de variedades, manejo nutricional e monitoramento de pragas e doenças devem ser adaptados às características de cada propriedade para otimizar resultados e controlar custos.

Do campo ao consumidor, diversos elos influenciam o preço final: indústria, transporte, distribuição, tributos e outros agentes da cadeia. Recentemente, levantamento da consultoria Datagro indicou reação nos preços ao produtor em São Paulo: o etanol hidratado subiu 8,2%, alcançando R$ 2,1955 por litro, e o anidro avançou 6,6%, para R$ 2,5078 por litro. Segundo Nathália, a variação de preços do etanol está diretamente ligada ao equilíbrio entre oferta e demanda e ao trabalho técnico realizado pelos produtores.

O desempenho dos canaviais, aliado à presença crescente do etanol de milho, segue como fator determinante para a disponibilidade de matéria-prima e para a dinâmica dos preços do combustível.

FONTE: Gazetadotriangulo

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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