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quarta-feira, setembro 23, 2026

Drone russo com minicomputador da Nvidia teria escolhido alvo sozinho em ataque que matou três civis em Zaporizhzhia

Um drone russo equipado com um minicomputador Nvidia Jetson Orin teria selecionado autonomamente o alvo final durante um ataque em 6 de julho que resultou na morte de três civis em Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, segundo conclusão de análises realizadas em destroços da aeronave e de outros incidentes na região por especialistas em drones, comandantes ucranianos e uma equipe forense.

Autoridades e peritos consultados pelo The New York Times afirmam que operadores humanos programaram a aeronave para seguir até um posto de gasolina, mas que, ao se aproximar, o sistema de inteligência artificial teria identificado sozinho o ponto exato a ser atingido — possivelmente tanques de propano — com base nas imagens e no treinamento recebido para reconhecer esse tipo de objeto.

Três pessoas morreram em decorrência do ataque. A estudante Tetiana Bubynets, de 19 anos, estava próxima ao posto quando o drone, descrito como semelhante a um aeromodelo, desceu, colidiu contra uma parede e explodiu. Ela foi levada ao hospital e não resistiu. Oleksiy Svirin, 41 anos, e Roman Karpiy, 48 anos, também morreram posteriormente por causa dos ferimentos.

Inspeções nos destroços localizaram minicomputadores Nvidia Jetson Orin em drones envolvidos no ataque e em outras ações em Zaporizhzhia. A defesa aérea ucraniana observou a ausência de antenas nas aeronaves e a presença dos módulos, o que levou à suspeita de uso de um sistema autônomo de IA.

Segundo autoridades ucranianas, os equipamentos não estavam criptografados, permitindo que investigadores acessassem imagens armazenadas nos computadores e verificassem como os drones usavam referências visuais para seguir rotas. Códigos nos módulos indicaram que objetos como tanques de propano constavam no conjunto de dados de treinamento.

A Nvidia informou que comercializa o Jetson Orin em vários países, mas não na Rússia; ainda assim, a empresa reconheceu que unidades acabam chegando ao país por meio de revendedores. O módulo tem preço de algumas centenas de dólares e é voltado a estudantes, desenvolvedores e startups.

Sistemas autônomos podem ser treinados com milhares de imagens para identificar categorias como rios, veículos militares ou pessoas. Em versões totalmente autônomas, as câmeras detectam elementos no terreno e o software escolhe alvos conforme padrões aprendidos, diferente do uso anterior em que a IA auxiliava apenas na “última milha” após escolha humana.

Pesquisadores e organizações de direitos humanos criticam armas que operam sem intervenção humana, por aumentarem o risco de erros e possíveis violações do direito internacional humanitário. A pesquisadora Kateryna Bondar, do Wadhwani AI Center no Center for Strategic and International Studies, afirmou que o episódio de 6 de julho seria o primeiro caso documentado de mortes de civis causadas por um drone russo com esse tipo de sistema, e que a presença do módulo da Nvidia é “a melhor prova” de experimentos russos com IA autônoma.

Ucranianos também testaram sistemas autônomos: Mykhailo Fedorov, então ministro da Defesa, disse ao The New York Times que o país havia experimentado um sistema totalmente autônomo na Crimeia ocupada contra depósitos de combustível e equipamentos militares, sem registrar mortes de civis.

Autoridades ucranianas afirmam que o ataque fazia parte de um lançamento de aproximadamente seis drones, nenhum emitindo sinais de rádio — característica associada aos testes russos —; algumas aeronaves explodiram ao atingir alvos e outras permaneceram intactas. Destroços com módulos identificados pela Nvidia foram mostrados a jornalistas.

Zaporizhzhia está a cerca de 14,5 quilômetros da linha de frente. Moradores relataram temor diante da possibilidade de drones que possam tomar decisões letais sem supervisão humana. Entre as medidas locais de proteção estão drones interceptadores pilotados por pessoas, redes antidrones que cobrem cerca de 386 quilômetros de estradas e técnicas de camuflagem, além de alterações em postos de gasolina — como a colocação de plásticos em ângulos incomuns ao redor de tanques de propano — para confundir sistemas de reconhecimento de imagem.

Especialistas ucranianos afirmam que a Rússia iniciou em maio testes com voos de drones Molniya guiados por IA e experimentos similares com o modelo V2U. O coronel Minaiev, comandante da defesa aérea de Zaporizhzhia, afirmou que a tecnologia ainda não é perfeita e que os operadores estariam “procurando erros e vão corrigi-los”, segundo relatos das autoridades.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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