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terça-feira, setembro 1, 2026

Brasil considera tarifas dos EUA discriminatórias e mantém diálogo bilateral

Governo reitera contestação às tarifas americanas e prevê sequência de negociações

O governo brasileiro voltou a questionar, nesta segunda-feira (31), as tarifas impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como discriminatórias e incompatíveis com regras do comércio internacional. A posição foi formalizada em reunião virtual entre autoridades brasileiras e o representante de Comércio dos EUA.

Participaram do encontro, realizado no início da tarde, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que conversaram com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo nota conjunta dos dois ministérios, o Brasil considera injusto o tratamento que lhe foi aplicado e afirma que as justificativas apresentadas nas investigações americanas não correspondem às práticas efetivamente adotadas pelo país. O documento cita que as conclusões baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos não justificam o regime tarifário discriminatório aplicado ao Brasil.

Atualmente, o país está sujeito a uma tarifa adicional de 25% imposta pelo governo americano, além de uma sobretaxa de 12,5% justificada pelos EUA por questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado. A tarifa de 25% decorre de apuração do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais desleais brasileiras em áreas como pagamentos eletrônicos, inclusive o Pix, e acesso ao mercado de etanol — pontos rejeitados pelo governo brasileiro, que considera os argumentos inconsistentes.

Apesar das divergências, as partes concordaram em dar continuidade às negociações. Estão previstas reuniões técnicas, tanto virtuais quanto presenciais, nas próximas semanas, seguidas de novo encontro ministerial para avaliar os avanços alcançados.

O governo brasileiro informou que seguirá buscando “um acordo equilibrado e mutuamente benéfico” com os Estados Unidos, mantendo o respeito ao diálogo e à soberania nacional. A retomada das conversas ocorre após uma ligação telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 21 de agosto, quando o tema voltou a ser tratado e a parte norte-americana propôs a retomada de negociações.

A disputa entre Brasil e Estados Unidos se dá em um contexto de intensificação da competição econômica entre Estados Unidos e China pela influência na América Latina, o que acrescenta uma dimensão geopolítica às negociações.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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