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sexta-feira, setembro 4, 2026

Da periferia ao MBA nos Estados Unidos: a trajetória de quem foi o primeiro da família a cursar universidade

Primeiro da família na universidade amplia oportunidades e inspira mudança

Douglas Amorim, 29 anos, cresceu na Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, e estudou toda a educação básica em escolas públicas. Filho de um mecânico de caminhões e de uma ex-costureira que hoje é dona de casa, ele foi o primeiro na família a considerar ingressar no ensino superior. Atualmente formado em Ciência da Computação, Douglas prepara-se para mudar-se para Chicago, nos Estados Unidos, onde será bolsista em um MBA focado em inteligência artificial.

Douglas relata que, no segundo ano do ensino médio, ao comentar o desejo de prestar vestibular para a USP, o pai perguntou quanto custaria o curso — desconhecendo a existência de uma universidade pública e gratuita. Para ele, a falta de informação é um entrave comum a jovens da periferia ou de famílias de primeira geração universitária.

O percurso educacional de Douglas incluiu o ensino médio técnico em Guaianases, onde despertou interesse por tecnologia, e curso técnico em informática na ETEC de Itaquera. Para o vestibular, frequentou o cursinho popular Mafalda, com aulas aos sábados, e integrou um cursinho preparatório promovido pela pró-reitoria da USP, voltado a alunos de escolas públicas que se destacaram como “treineiros” na Fuvest. Essa iniciativa oferecia bolsa de R$ 300, vale-transporte e alimentação.

Em 2014, ao concluir a educação básica, foi aprovado em Ciência da Computação na USP de São Carlos. Na turma de 100 alunos, era o único que havia cursado todo o ensino fundamental e médio em escola pública e ingressado diretamente. Douglas afirma que a permanência estudantil — com alojamento e restaurante universitário gratuitos — foi decisiva para a conclusão da graduação. Após a graduação e um mestrado pela mesma universidade, ele seguirá para o MBA nos Estados Unidos.

O avanço educacional de Douglas teve efeito multiplicador na família. A mãe, que havia estudado até a 4ª série (atual 5º ano) no sertão da Bahia, concluiu fundamental e médio pelo EJA e, durante a pandemia, prestou o vestibulinho da ETEC, finalizando um curso técnico em administração. Douglas descreve a educação como caminho de transformação e lembra o apoio mútuo entre ele e a mãe ao longo dessa trajetória.

A história de Douglas se aproxima da de Ellen Menezes, 25 anos, que está no último ano de Pedagogia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Filha de pais baianos com escolaridade incompleta — a mãe vende milho e pamonha e o pai é motorista de aplicativo —, Ellen também é a primeira na família a ingressar no ensino superior. Inicialmente aprovada em Ciências Sociais, reaplicou ao vestibular para cursar Pedagogia. Ingressou via sistema de cotas étnico-raciais e pretende prestar concurso para lecionar na rede pública, conciliando a carreira docente com estudos de mestrado e doutorado, com foco na educação infantil.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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