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sábado, setembro 5, 2026

ONU aprova resolução para incentivar uso de projeção que reduz distorções nos mapas-múndi

Quem e o que: A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), uma resolução que recomenda a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi, com o objetivo de diminuir distorções nas dimensões dos continentes. A proposta foi aprovada por 164 votos.

Quando e onde: A votação ocorreu na ONU na data referida, e a recomendação deve orientar governos, organizações internacionais e instituições que produzem materiais cartográficos e educativos.

Por que: A iniciativa busca corrigir efeitos de distorção causados por projeções cartográficas tradicionais, especialmente a projeção de Mercator, que amplia áreas próximas aos polos e reduz visualmente áreas junto ao Equador. Em razão dessa distorção, por exemplo, a África pode parecer semelhante em tamanho à Groenlândia, embora seja cerca de 14 vezes maior; o Brasil pode aparecer de dimensão parecida com o Alasca, mesmo sendo aproximadamente cinco vezes maior; e a África parece menor que a América do Norte, apesar de ter cerca do triplo da extensão desta.

Contexto histórico: A projeção de Mercator, criada por Gerardus Mercator em 1569 para facilitar a navegação, mantém direções da bússola no mapa, mas distorce tamanhos conforme a distância ao Equador. Como alternativa, existem outras projeções, como a Gall-Peters, desenvolvida a partir de um desenho de James Gall em 1855 e difundida por Arno Peters, que prioriza a proporcionalidade das áreas, reduzindo certas distorções em relação à Mercator, ainda que também envolva compromissos funcionais.

Qual o modelo apoiado: A resolução da ONU incentiva considerar projeções que preservem melhor as proporções das áreas. A iniciativa conhecida como “Corrija o mapa”, apoiada pela União Africana, aponta o modelo Equal Earth (denominado “Terra Igual” nos materiais da ONU) como uma projeção que equilibra melhor as proporções entre continentes, apresentando áreas mais próximas das reais em mapas planos.

O que muda na prática: A recomendação não elimina o uso imediato da projeção de Mercator. Trata-se de um incentivo para que instituições revejam suas escolhas cartográficas e adotem representações que reduzam distorções de área. Na prática, a principal diferença será visual: mapas baseados em projeções que preservam áreas, como o Equal Earth, mostram a África, a América do Sul e outras regiões equatoriais com proporções mais próximas das reais, enquanto a Mercator tende a ampliar países e regiões situados perto dos polos.

Limitação técnica: A resolução lembra que não existe método perfeito para transformar a superfície esférica da Terra em uma superfície plana sem gerar algum tipo de distorção; cada projeção preserva determinadas características ao custo de distorcer outras.

A resolução ressalta ainda que as distorções cartográficas podem ter impactos cognitivos, educacionais, culturais e geopolíticos, razão pela qual recomenda maior atenção à escolha de projeções em materiais didáticos e oficiais.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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