Quem e o que: O governo do Canadá passou a impor, a partir desta terça-feira (8), tarifas de 15%, 25% e 50% sobre uma série de produtos importados dos Estados Unidos. As novas alíquotas afetam mercadorias avaliadas em 27,6 bilhões de dólares canadenses, aproximadamente US$ 20 bilhões.
Quais produtos e como funcionam as medidas
A lista de itens submetidos às tarifas inclui aço, alumínio, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose, plásticos e componentes eletrônicos. As taxas foram calculadas para espelhar, em proporção, as tarifas que os Estados Unidos aplicaram a produtos canadenses, com a intenção de retaliação equivalente. A cobrança não alcança bens que já estavam em trânsito para o Canadá quando as tarifas entraram em vigor e vale apenas para produtos considerados de origem americana. Ottawa manteve, além disso, tarifas já vigentes sobre automóveis americanos.
Contexto e escalada do conflito
A disputa tarifária teve início no começo de 2025, quando o presidente Donald Trump, em seu segundo mandato, declarou tarifas sobre diversos produtos canadenses, citando o combate ao tráfico de fentanil e a redução do déficit comercial dos Estados Unidos como justificativas. Após adiamento de 30 dias para negociações, Washington aplicou, em março, tarifa de 25% sobre vários bens canadenses e 10% sobre parte das importações de energia. Em resposta, Ottawa impôs uma primeira lista de medidas retaliatórias que incluía alimentos, bebidas, eletrodomésticos e vestuário.
Posteriormente, os EUA estabeleceram taxas de 25% sobre aço e alumínio importados, o que levou o Canadá a responder com tributos sobre produtos americanos, incluindo computadores, servidores e equipamentos esportivos. Em março, Trump também anunciou tarifa de 25% sobre automóveis importados, com distinção para veículos que cumprissem regras do acordo USMCA; em abril, o Canadá cobrou tarifas sobre veículos e componentes que não se enquadravam nas exigências do tratado.
Tentativas de negociação e novas medidas em 2026
Apesar de encontros entre os líderes — incluindo reunião entre Carney e Trump em maio de 2025 — e prazos estabelecidos para negociação, as conversas não avançaram. Em junho, negociações foram interrompidas após desentendimento sobre imposto canadense sobre serviços digitais; o Canadá acabou retirando essa medida. Em 2025, Washington elevou algumas tarifas para 50%, e Ottawa posteriormente reduziu a maior parte de suas retaliações, mantendo taxas sobre aço, alumínio e automóveis.
Em julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 10% ligada a investigação sobre trabalho forçado, com isenção para produtos que cumpram o USMCA. No mesmo mês, Washington recorreu à Seção 338 da legislação comercial para estabelecer tarifas adicionais de até 50% sobre cerca de 27,6 bilhões de dólares canadenses, atingindo itens como vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas e equipamentos esportivos. Em 22 de agosto, os EUA colocaram em vigor tarifas de 50% sobre produtos do Canadá; Ottawa declarou que aplicaria medidas equivalentes a partir de 8 de setembro.
Impactos setoriais e declarações recentes
Além das tarifas, o conflito passou a envolver questões sobre localização de produção e investimentos: em 7 de setembro, Donald Trump afirmou que a fabricante canadense Bombardier deveria produzir nos Estados Unidos para continuar vendendo no mercado americano, sob pena de impedimento. O governo canadense anunciou também um programa de incentivo à produção local, com 4,7 bilhões de dólares canadenses destinados à fabricação e manutenção de 313 vagões da VIA Rail, projeto que deve sustentar cerca de 700 empregos.
Efeitos sobre a economia canadense
Dados recentes mostram sinais de impacto. Em julho, o superávit comercial de bens do Canadá caiu para 769 milhões de dólares canadenses, ante 4,2 bilhões em junho; as exportações para os EUA recuaram 6,6% no mês, enquanto as importações cresceram 1,8%. Em agosto, o país perdeu cerca de 42 mil empregos e a taxa de desemprego atingiu 6,4%. As autoridades observam que esses números não podem ser atribuídos exclusivamente às tarifas, mas refletem um ambiente de maior incerteza econômica.
A notícia segue em desenvolvimento conforme evoluam negociações e eventuais novas medidas adotadas por ambos os países.
Fonte: G1


