Os membros do Brics divulgaram neste sábado (12) uma declaração na qual manifestam “profunda preocupação” com a escalada das tensões no Oriente Médio e pedem contenção por parte dos envolvidos. O documento, fruto da cúpula realizada em Nova Delhi, na Índia, traz ainda críticas a medidas tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e defende maior representatividade no Conselho de Segurança da ONU, com destaque para a ampliação da participação de países em desenvolvimento.
Intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, a declaração soma 35 páginas e 140 parágrafos. O Brics reúne atualmente 11 países — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã — que, segundo o texto, correspondem a 39% da economia mundial, 48,5% da população global e 23% do comércio internacional.
O Brasil assumiu a presidência do grupo em 2025 e organizou a reunião anual no Rio de Janeiro naquele ano; na cúpula de Nova Delhi, o país foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A expectativa sobre a posição do bloco ocorreu em um contexto marcado por confrontos no Oriente Médio, iniciados em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel teriam lançado ataques contra o Irã, que nega as alegações sobre desenvolvimento de armas nucleares. Em resposta, o Irã realizou ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, ambos alinhados aos Estados Unidos e integrantes do Brics.
A cúpula contou com a presença do primeiro-ministro indiano Narendra Modi e dos presidentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além de Masoud Pezeshkian, representante do Irã. Os Emirados Árabes Unidos enviaram o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Sobre reformulação do Conselho de Segurança da ONU, a declaração defende uma mudança que torne o órgão “mais democrático, representativo, eficaz e eficiente” e priorize maior espaço para nações em desenvolvimento. O texto registra o apoio de China e Rússia às aspirações do Brasil e da Índia por um papel mais relevante na ONU, inclusive no Conselho de Segurança, mas não aborda explicitamente a entrada do Brasil como membro permanente.
Os signatários também expressaram preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que, segundo o documento, distorcem o comércio e contrariam regras da Organização Mundial do Comércio. A declaração não cita nominalmente os Estados Unidos nem seu presidente, embora releve que o país aplicou tarifas a parceiros desde 2025.
Em relação a pagamentos internacionais, o Brics informa que os países avançam na busca por mecanismos eficientes de transações transfronteiriças em moedas locais, sem mencionar a criação de uma moeda do grupo ou proposta de substituição do dólar. O documento destaca ainda que erradicar a pobreza em todas as suas formas é “o maior desafio global” e registra uma proposta conjunta do Brasil e da África do Sul para criar um painel internacional sobre desigualdade.


