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quarta-feira, abril 29, 2026

Mulheres recebem 21,3% menos que homens no setor privado, aponta 5º relatório do MTE

O salário médio das mulheres no setor privado é 21,3% inferior ao dos homens, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta segunda-feira (27).

O levantamento, baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), analisou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais empregados, comparando os períodos de 2023 a 2025. Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a diferença salarial manteve-se e foi observada em todos os setores econômicos.

Desde 2023, primeiro ano após a entrada em vigor da Lei da Igualdade Salarial, o emprego feminino cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras — um acréscimo de aproximadamente 800 mil vagas. No mesmo intervalo, o número de mulheres negras empregadas subiu 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões, com crescimento de 1 milhão de trabalhadoras.

O relatório aponta ainda que 21.759 estabelecimentos tinham pelo menos 10% de mulheres negras em 2025, alta de 3,6% em relação a 2023. Mesmo assim, a desigualdade de renda manteve trajetória de alta: nos relatórios anteriores a diferença salarial foi de 19,4% (março de 2024), 20,7% (setembro de 2024), 20,9% (abril de 2025) e 21,2% (novembro de 2025), até alcançar 21,3% na edição atual.

No recorte por salário de admissão, as mulheres passaram a receber em média 14,3% a menos que os homens em 2025, ante 13,7% em 2023. A remuneração média feminina ficou em R$ 3.965,94 mensais, contra R$ 5.039,68 para os homens.

A participação das mulheres na massa de rendimentos subiu de 33,7% para 35,2%, mas ainda fica abaixo da participação feminina no emprego, de 41,4%. O levantamento estimou que seriam necessários R$ 95,5 bilhões a mais na renda das mulheres para igualar esses patamares. A Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE observou que aumentar essa massa teria impacto no consumo das famílias, mas implicaria custos para as empresas, o que pode dificultar a adoção de mudanças.

A disparidade varia por porte de empresa, com diferença menor em companhias de até 250 empregados e maior nas corporações de maior porte. Por ocupação, a aproximação salarial foi mais evidente em funções administrativas, enquanto cargos de maior qualificação registraram avanços limitados e até leve piora entre profissionais com nível superior.

Setores como indústria e agropecuária concentram as maiores diferenças salariais; comércio e serviços apresentam distâncias menores, mas ainda desfavoráveis às mulheres. Entre medidas internas adotadas, houve aumento na oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%), auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%) e licenças-maternidade e paternidade estendidas (de 20% para 29,9%); essas iniciativas, contudo, são menos comuns que critérios tradicionais de remuneração, como tempo de experiência, metas e planos de carreira.

Cresceu a proporção de empresas que declaram promover mulheres, passando de 38,8% para 48,7%. Ações de contratação voltadas a grupos específicos permaneceram relativamente estáveis, exceto para mulheres indígenas (de 8,2% para 11,2%) e mulheres vítimas de violência (de 5,5% para 10,5%). Apenas 7% dos estabelecimentos afirmaram ter políticas de contratação para mulheres em situação de violência.

No recorte por raça, mulheres negras têm remuneração média de R$ 3.026,66 e salário contratual mediano de R$ 1.908,79; mulheres não negras apresentam média de R$ 5.018,11 e salário contratual mediano de R$ 2.434,51. Entre os homens, os não negros têm média de R$ 6.560,02 (salário contratual mediano de R$ 2.921,21) e os negros média de R$ 3.875,52 (salário contratual mediano de R$ 2.211,15).

O relatório também registrou diferenças regionais: os estados com menor desigualdade foram Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). As maiores desigualdades apareceram no Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).

Organismos internacionais indicam impactos econômicos potenciais da igualdade de gênero: dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que o Brasil poderia ampliar a economia em R$ 382 bilhões com políticas para igualdade de gênero, valor que poderia dobrar com plena equidade. O Banco Mundial estima que o PIB global poderia crescer mais de 20% se mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens no mercado de trabalho.

Em resposta ao cenário, os ministérios das Mulheres e do Trabalho lançaram, em abril do ano passado, o Movimento pela Igualdade no Trabalho e publicaram o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Mulheres e Homens, com vigência até 2027. A Lei da Igualdade Salarial, sancionada em julho de 2023, obriga empresas com mais de 100 empregados a adotar medidas como transparência salarial, canais de denúncia, fiscalização contra discriminação, programas de diversidade e apoio à capacitação de mulheres.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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