Quem e o quê: A 2ª Pesquisa Apagão dos Professores, conduzida pelo Instituto Semesp, detalha remunerações médias de docentes da Educação Básica em 2025 e identifica fatores que dificultam a atração e a retenção de profissionais na carreira.
Principais números: Um professor de Filosofia do ensino médio recebeu, em média, R$ 4.082 por mês em 2025. A média para professores de Matemática no ensino médio foi de R$ 5.726, enquanto disciplinas pedagógicas alcançaram R$ 7.294. Considerando todo o ensino médio, a remuneração média foi de R$ 6.574, equivalente a cerca de 80% da renda média de trabalhadores brasileiros com ensino superior completo, de R$ 8,1 mil.
Remuneração por etapa de ensino
Educação Infantil (0 a 3 anos): R$ 5.105
Educação Infantil (4 a 6 anos): R$ 5.307
Ensino Fundamental I: R$ 6.166
Ensino Fundamental II (média): R$ 5.426
Ensino Médio: R$ 6.574
Salários médios por disciplina
Ensino Fundamental II (média): R$ 5.426
Ciências Exatas e Naturais: R$ 5.930; Educação Artística: R$ 5.355; Educação Física: R$ 4.801; Geografia: R$ 4.801; História: R$ 5.179; Língua Estrangeira Moderna: R$ 4.964; Língua Portuguesa: R$ 6.198; Matemática: R$ 5.029.
Ensino Médio (média): R$ 6.574
Artes: R$ 4.994; Biologia: R$ 4.916; Disciplinas Pedagógicas: R$ 7.294; Educação Física: R$ 5.180; Filosofia: R$ 4.082; Física: R$ 4.433; Geografia: R$ 5.718; História: R$ 5.661; Língua e Literatura Brasileira: R$ 4.941; Língua Estrangeira Moderna: R$ 5.545; Matemática: R$ 5.726; Psicologia: R$ 4.990; Química: R$ 4.470; Sociologia: R$ 4.695.
Fatores além do salário
A pesquisa indica que, embora 58,3% dos professores citassem a baixa remuneração entre os principais desafios, o problema mais apontado foi a falta de valorização e estímulo à carreira, mencionada por 74,8% dos participantes. Outros desafios recorrentes são falta de disciplina e interesse dos alunos (62,8%), ausência de apoio e reconhecimento social (61,3%) e baixo envolvimento das famílias (59%).
O levantamento também registra sinais de insatisfação: 79,4% dos entrevistados já pensaram em desistir da carreira docente e apenas 5% disseram sentir-se motivados e confiantes quanto ao futuro profissional.
Renovação do quadro e comparação internacional
O estudo chama atenção para o envelhecimento do corpo docente: entre 2015 e 2025, o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o contingente com 60 anos ou mais aumentou 104,5%.
Com base no relatório Education at a Glance 2025, da OCDE, o Instituto Semesp comparou remunerações anuais ajustadas por paridade do poder de compra. Em 2024, um professor do Ensino Médio em início de carreira no Brasil recebia o equivalente a US$ 24,5 mil por ano, valor inferior ao do Chile (US$ 31 mil), Coreia do Sul (US$ 37,8 mil), Portugal (US$ 41,3 mil), Finlândia (US$ 48,9 mil), Canadá (US$ 50,1 mil), Austrália (US$ 57,5 mil) e Dinamarca (US$ 59,8 mil).
A comparação também mostra diferenças na progressão salarial: por exemplo, na Coreia do Sul, a remuneração cresce de US$ 37,8 mil no início para US$ 65,8 mil após 15 anos, podendo chegar a US$ 104,8 mil no topo; na Austrália, de US$ 57,5 mil para US$ 81,8 mil após 15 anos, com teto em US$ 93 mil; e no Canadá, de US$ 50,1 mil para US$ 87,3 mil depois de 15 anos.
Para o Instituto Semesp, esses dados indicam que a atratividade da profissão está ligada não só ao salário de entrada, mas também às perspectivas de progressão salarial e reconhecimento profissional.


