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sexta-feira, setembro 18, 2026

Governo anuncia aumento do Bolsa Família às vésperas da eleição; economistas criticam timing e apontam risco fiscal

O governo federal divulgou em 17 de setembro um reajuste no Bolsa Família que eleva o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 e aumenta o benefício médio de R$ 675 para R$ 777, com vigência a partir do mês seguinte. Especialistas consultados pelo g1 avaliaram que o aumento, de 15%, recupera parte da perda do poder de compra causada pela inflação acumulada desde 2023, estimada em 17% até agosto, mas questionaram o momento da medida e seus impactos fiscais.

O anúncio foi feito 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é candidato à reeleição. Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, “é difícil não interpretar o movimento como eleitoreiro”, ainda que reconheça a necessidade de correção.

O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luis Oreiro, afirmou que o reajuste “é justo”, por corrigir a perda real do benefício, mas criticou o timing. Oreiro disse também que a repetição de aumentos próximos ao calendário eleitoral, como ocorreu em 2022, indica fragilidade institucional e defendeu uma regra automática de correção anual.

O episódio de 2022 foi citado por especialistas: naquele ano, enquanto o programa ainda se chamava Auxílio Brasil, o piso subiu para R$ 600 após a aprovação da Emenda Constitucional nº 123 (a “PEC Kamikaze”), aprovada dois meses antes do primeiro turno. Entre julho e agosto de 2022, o benefício médio passou de R$ 408 para R$ 607, e o número de famílias atendidas saltou de 18,1 milhões para 20,2 milhões.

Sobre o impacto fiscal, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estimou custo de R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando pagamentos entre outubro e dezembro. Em 2027 e 2028, o aumento anual da despesa foi calculado em R$ 22,7 bilhões. Segundo Moretti, a despesa com o programa subiria de R$ 157,1 bilhões para R$ 179 bilhões no próximo ano, um acréscimo de 13,9%, e o governo disse acreditar ser possível acomodar o gasto no Orçamento.

Economistas alertaram que a análise deve considerar efeitos sobre a confiança dos investidores, a percepção de risco do país, inflação e juros. A economista Juliana Inhasz, do Insper, afirmou que a incerteza pode aumentar o prêmio exigido por credores do país, encarecendo a dívida e dificultando a redução de juros, além de potencialmente pressionar a inflação, uma vez que a medida amplia a renda disponível para beneficiários.

O pesquisador Daniel Duque, do Ibre/FGV, destacou que a expansão forte do programa em intervalos curtos já ocorreu antes e propôs que, em vez de elevar o piso geral, seria mais eficiente direcionar recursos aos adicionais para grupos específicos, como crianças e adolescentes, concentrando benefícios nas famílias mais vulneráveis. Ele observou também que a pobreza extrema está em níveis baixos, o que reduziria a eficácia de um aumento generalizado do piso.

Especialistas lembraram que a queda do desemprego — 5,3% em julho, a menor taxa para o período desde o início da série do IBGE — não elimina a necessidade de atenção ao Bolsa Família, porque o programa tem objetivo de complementar renda de famílias muito pobres e não substitui indicadores de emprego.

O governo afirmou que o reajuste de 15% repõe parte da perda inflacionária ocorrida desde 2023 e negou motivação eleitoral para a medida. O pagamento do novo valor começará no mês seguinte ao anúncio, afetando o Orçamento inicialmente apenas nos três últimos meses de 2026 e com maior impacto a partir de 2027.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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