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domingo, setembro 27, 2026

Operações do ICE reduzem processamento de carne no Kansas e pressionam preços nos EUA

Operações do ICE afetam fábricas e abastecimento

Operações intensificadas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em cidades do Kansas, como Dodge City, Liberal e Garden City, levaram parte dos trabalhadores a faltar aos turnos nos frigoríficos por medo de abordagens, segundo autoridades locais, organizadores comunitários e representantes do setor. Em consequência, algumas unidades reduziram o ritmo de abate e houve atrasos no envio de milhares de bovinos para processamento.

A redução da força de trabalho ocorreu em um momento em que a cadeia de produção de carne bovina norte-americana já enfrenta restrições: o país tem o menor rebanho bovino em cerca de 75 anos, e os preços da carne atingiram patamares recordes. Especialistas do setor alertam que nova queda na capacidade de processamento pode aumentar a pressão sobre a oferta e dificultar ainda mais a reposição de carne em supermercados e restaurantes.

Impacto nos números de abate

Os efeitos já aparecem nas estatísticas oficiais. Na quinta-feira (24), os frigoríficos americanos abatêram cerca de 90 mil bovinos, uma queda de 16% em relação à mesma quinta-feira da semana anterior, informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Na quarta-feira, a redução havia sido de aproximadamente 9%.

Não é possível determinar com precisão quanto da diminuição se deveu diretamente às operações do ICE, mas entidades do setor apontam que a queda na disponibilidade de mão de obra e atrasos nos transportes de animais já estão afetando a cadeia de produção. O problema realçado pelos produtores é que, além de haver gado disponível, é necessário ter trabalhadores e capacidade industrial para transformar os animais em carne pronta para o consumidor.

Medidas do governo para conter preços

Para tentar ampliar a oferta e conter a alta nos preços da carne, o governo do presidente Donald Trump autorizou a importação temporária de até 300 mil toneladas de carne moída em um período de 90 dias sem a cobrança da tarifa adicional que normalmente incide quando se ultrapassa limites de cota. A medida visa aumentar o volume de produto no mercado e pressionar os preços para baixo.

A iniciativa enfrenta resistência de parte dos pecuaristas americanos, que temem que a entrada maior de carne importada reduza o preço recebido pelos produtores e desestimule a recomposição do rebanho. Paralelamente, a administração Trump abriu uma investigação sobre o funcionamento do mercado e sobre as grandes empresas processadoras.

Contexto político e econômico

A discussão ganhou relevância política porque os Estados Unidos se preparam para as eleições de meio de mandato em novembro, quando serão escolhidos deputados e parte dos senadores que definirão a composição do Congresso para os próximos dois anos. O custo de vida é um tema central para eleitores; pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro mostrou que 17% dos americanos aprovavam a atuação de Trump no que se refere ao custo de vida.

O mercado da carne bovina é apenas um dos setores impactados pela alta de preços, mas tem importância particular por fazer parte da alimentação cotidiana e por envolver diretamente produtores rurais, frigoríficos e consumidores.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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