Os Arcos Dourados de Olinda, curta documentário dirigido por Douglas Henrique, está apto para a apreciação dos votantes do Oscar após conquistar o prêmio de Melhor Documentário Brasileiro – Curta no festival É Tudo Verdade 2026. A produção, que reconta a história folclórica do fechamento de uma unidade do McDonald’s em Olinda no início dos anos 2000, também traça um paralelo com a primeira eleição municipal que levou Luciana Santos, pelo Partido Comunista do Brasil, à Prefeitura antes do ciclo de esquerda que culminou com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2002.
Douglas afirmou que, no início do ano passado, entrevistou Luciana Santos, que não sabia que o filme sobre o restaurante escondia que se tratava de sua eleição. Após a exibição do curta, foi organizada uma sessão especial no Cine São Luiz, com cerca de 700 pessoas, em que a então prefeita assistiu à obra pela primeira vez. O Cine São Luiz é apontado pelo diretor como um dos cinemas históricos mais importantes de Pernambuco.
Trajetória em festivais e prêmios
Segundo o diretor, o filme foi exibido em 16 festivais, conquistou cerca de 50 prêmios e foi selecionado em 70 mostras, tendo estreado em todos os continentes, exceto na Oceania. A equipe também promoveu a primeira exibição oficial em Olinda como parte de um movimento para reativar o cinema de rua local, cuja sala principal, afirmou Douglas, permanece fechada há 50 anos.
O curta ganhou circulação orgânica no Brasil, com mostras e cineclubes impulsionando sua popularidade. Douglas relatou que muitas pessoas retornaram ao Cine São Luiz depois de 30 anos por causa do filme, e repetiu a expressão que chamou atenção na entrevista: “o estrago meio que já está feito”, referindo-se ao impacto da obra mesmo antes de uma eventual indicação ao Oscar.
Preparativos para a campanha
A equipe do filme prepara uma campanha de divulgação com apoio de assessoria do próprio festival É Tudo Verdade. Há busca por exibições em Los Angeles por meio do Ministério da Cultura e do consulado brasileiro, além de esforços para inserção em mais festivais europeus. A produção aposta que a presença de muitos votantes estrangeiros na Academia pode favorecer sua visibilidade internacional.
Douglas, nascido em 2000, contou que idealizou o projeto em 2021 enquanto estudava cinema e escreveu o roteiro em três meses com o roteirista Arnon Hochman. Ele procurou uma linguagem acelerada e dinâmica para a montagem, evitando transportar literalmente todas as entrevistas para o corte final e privilegiando um ritmo que articulasse a narrativa política e a história do restaurante.
O curta está disponível para exibição na Mostra Cine.Ema até 19 de outubro; a versão online pode ser acessada no portal da Mostra Cine.Ema.
Fonte: Paranaibamais


