Universidades ampliam mobilização estudantil na França
Cerca de 30 universidades se somaram nesta quinta-feira (1º) aos bloqueios promovidos por estudantes do ensino médio em diversas regiões da França, segundo a União Estudantil. Campi estão fechados em Paris, Estrasburgo, Marselha, Lyon, Reims, Poitiers e Nanterre, entre outras cidades; o sindicato classificou a adesão como “histórica”.
Os acessos às instituições foram impedidos em muitos locais, embora as universidades ainda possam manter aulas por meios digitais. Os alunos do ensino médio reivindicam, principalmente, a substituição de professores ausentes e um aumento de recursos para a educação, pautas que motivaram a ampla mobilização iniciada há cerca de uma semana.
Os sindicatos estudantis apresentaram a entrada dos universitários como o “ato dois” da mobilização, que nos últimos dias se intensificou e foi marcada por episódios de violência. De acordo com o Ministério do Interior, o movimento atingiu 356 escolas na quarta-feira (30), ante 338 na terça-feira, e levou à detenção de centenas de pessoas: 625 prisões foram registradas em um dia, quando 83 policiais e gendarmes ficaram feridos.
Desde o começo dos bloqueios, 119 estudantes e funcionários de escolas foram contabilizados como feridos, informou o ministro da Educação, Édouard Geffray. Nesta quinta-feira, bloqueios seguiam em cidades como Paris, Marselha, Estrasburgo e Rennes.
“Eles não nos escutam, somos obrigados a sair às ruas”, afirmou à AFP Lola, aluna do segundo ano do ensino médio, citando jornadas prolongadas, casos de turmas sem professor responsável e faltas de substituição como motivos das manifestações.
Em Estrasburgo, centenas de estudantes, muitos vestidos de preto, bloquearam a frente da escola Couffignal e impediram a circulação de bondes; contêineres de lixo foram colocados na via e incendiaram-se, conforme relatos.
O panorama nacional inclui ainda uma onda de greves de servidores públicos e dezenas de manifestações pelo país. Na terça-feira (29), cerca de 200 mil pessoas foram às ruas, quase 30 mil em Paris, segundo o Ministério do Interior. Mais de 170 marchas reivindicavam reajustes salariais, recomposição do poder de compra e reforço orçamentário para serviços públicos.
Confrontos entre estudantes e policiais já ocorreram em dias recentes: na terça-feira grupos de adolescentes incendiaram contêineres e lançaram objetos contra as forças de segurança, que responderam com cassetetes e gás lacrimogêneo. O episódio resultou em 440 detenções e em feridos entre funcionários e alunos, conforme números oficiais.
O ministro da Educação anunciou a abertura de ações judiciais contra atos de violência e escreveu na rede X que “essa violência é indescritível” e que legitimar a ampliação dos bloqueios colocaria em risco alunos e servidores públicos.
Alguns episódios violentos também levaram a três investigações da IGPN, sobre incidentes em Sevran, Saint-Ouen-l’Aumône e Tours. Em Tours, um estudante foi ferido na cabeça na quarta-feira e internado; o Ministério Público afirmou que as lesões são “compatíveis” com um disparo de armas usadas pelas forças de segurança para conter manifestações.
As autoridades relataram ainda incêndios de lixeiras, disparos de morteiros, construção de barricadas e detenções em diferentes cidades. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que as intervenções ocorreram “com muita proporcionalidade”.
Organizações estudantis, entre elas a União Sindical dos Estudantes de Ensino Médio (USL) — cujo presidente é Ryad Rani e a secretária-geral Eloïse Lefebvre-Milon — convocaram uma nova ampliação da mobilização para quinta-feira e para terça-feira, 6 de outubro, pedindo, entre outras demandas, um “financiamento maciço dos liceus e das universidades”. A Unef também convocou universitários a protestar contra a diminuição de vagas nas universidades e o congelamento dos auxílios habitacionais.
Diante da escalada, o governo anunciou a criação de uma “plataforma de consulta” aberta a todos os estudantes do ensino médio, onde poderão apresentar reivindicações e preocupações de forma regionalizada. Segundo o ministro Édouard Geffray, uma “restituição nacional” será organizada posteriormente para apresentar respostas estruturadas.
Fonte: G1


