Repressão e denúncias marcam protestos pela educação em Paris
Vídeos recentes exibem cenas de confronto entre forças de segurança e manifestantes em Paris, onde protestos em defesa da educação se estendem há três semanas. As manifestações são compostas majoritariamente por alunos do ensino médio, com adesão de pais e professores, e têm motivado críticas ao uso da força por parte da polícia.
As passeatas começaram em meados de setembro e ganharam intensidade no fim daquele mês. Entre as reivindicações estão maior investimento no setor educacional, a contratação de professores substitutos e melhorias na infraestrutura das escolas. Em 8 de outubro, o ministério da Educação informou que 375 estabelecimentos estavam totalmente ou parcialmente fechados.
Desde o início das manifestações, 6.629 pessoas foram presas, segundo o ministério do Interior; a maior parte dos detidos é menor de idade. Além das detenções, houve registros de confrontos, depredações e incêndios em várias regiões do país.
Vários incidentes com ferimentos graves estão sendo investigados. Um estudante de 14 anos teve a mandíbula e vários dentes quebrados após ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo. Em Lens, um adolescente de 15 anos perdeu uma mão em um episódio envolvendo uma granada policial. Em Tours, um jovem de 16 anos sofreu perda parcial da visão. Essas ocorrências integram a lista de 18 investigações abertas sobre a atuação das forças de segurança.
Em reação ao caso em Lens, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão temporária do uso de um modelo de granada atordoante. O governo defende que as intervenções policiais ocorrem em resposta a episódios de violência ou danos ao patrimônio público.
Na mesma quinta-feira, 8 de outubro, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, estava previsto para apresentar as primeiras medidas destinadas aos estudantes durante o telejornal das 20h da emissora TF1. As manifestações ocorrem na reta final do governo de Emmanuel Macron; a eleição presidencial francesa está marcada para abril de 2027.
Imagem: Policiais em equipamento de controle de distúrbios posicionados diante de manifestantes durante protestos nacionais em Paris. Crédito: Pedro Nunes / Reuters
Fonte original: G1


