Pesquisa e panorama
Uma investigação da Zety, reunindo mais de 1.000 trabalhadores nos Estados Unidos para o “Relatório de Romance do LinkedIn”, mostra que o uso da plataforma profissional para flertar gera opiniões divididas: 74% dos entrevistados veem esse comportamento como uma transgressão dos limites profissionais, enquanto cerca de 25% consideram aceitável procurar relacionamentos românticos ali.
Relatos de aproximação e receio de retaliação
Abordagens indesejadas e incômodo
Por outro lado, profissionais relatam experiências desconfortáveis. Patrícia Gazolla, analista de recursos humanos, disse ter recebido mensagens diretas sobre sua aparência, com número de telefone e tentativas claras de aproximação, sem qualquer cuidado profissional no contato. Ela classificou a abordagem como desrespeitosa e afirmou ter respondido criticando o comportamento, especialmente depois de perceber que o remetente buscava emprego.
Julia Meireles, estagiária de marketing, descreveu uma situação em que uma conversa iniciada de forma aparentemente profissional tomou rumo romântico, gerando surpresa e incômodo por ocorrer em um ambiente voltado ao trabalho.
Por que o LinkedIn virou espaço para paquera
Especialistas consultados pelo g1 oferecem explicações para a migração de flertes para o LinkedIn. João Finamor, professor de Marketing da PUC-RS, aponta que a plataforma traz informações verificáveis — formação, histórico profissional, empresa e conexões em comum — que transmitem mais confiança do que muitos aplicativos de relacionamento. Priscila Milk, professora da ESPM e especialista em estratégia de mídias sociais, relaciona o movimento ao cansaço com aplicativos de paquera e à busca por conexões mais profundas, mas ressalta que a ausência de sinais claros de interesse pode transformar a aproximação em desconforto e trazer consequências profissionais, especialmente se as pessoas voltarem a se encontrar em processos seletivos ou no mercado.
Riscos para a carreira e orientações
Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital, alerta que flertar no LinkedIn associa a investida diretamente à identidade profissional do usuário, o que pode causar danos reputacionais. Ela destaca que a diferença principal em relação a apps de relacionamento é a expectativa de finalidade profissional na rede. Entre comportamentos problemáticos, Denise cita insistência após recusa, mensagens repetidas sem reciprocidade, comentários sexualizados e uso da posição profissional para obter atenção. Sua recomendação para quem recebe abordagem indesejada é: não responder, remover a conexão, bloquear e denunciar o perfil, além de guardar as mensagens como registro.
Solange Feliciano, diretora de Comunicação e Marketing da ABRH-SP, reforça a necessidade de consentimento nas interações e relata ter denunciado um profissional após receber mensagens de baixo calão. Ela observa que uma aproximação que evolui de forma natural e consensual difere de abordagens invasivas e lembra que, quando existe vínculo profissional, é possível acionar canais internos da organização. “Reputação é construída também nas mensagens privadas”, diz a executiva.
Posicionamento do LinkedIn
Questionado pelo g1, o LinkedIn afirmou em nota que se trata de uma comunidade profissional e que investidas românticas e assédio violam suas políticas. A empresa informou ainda que mantém equipes e tecnologias para remover conteúdos prejudiciais e orienta os usuários a denunciar interações inadequadas.
Fonte: G1


