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sexta-feira, maio 1, 2026

Pesquisa encontra ideação suicida em quase 1 em cada 5 universitários

Um levantamento com estudantes e servidores da comunidade acadêmica brasileira apontou que 18,86% dos participantes relataram ideação suicida nas duas semanas anteriores à coleta de dados — isto é, quase uma em cada cinco pessoas da amostra. Os resultados foram publicados no periódico The Lancet Regional Health – Americas por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Quem participou e como foi o estudo

A pesquisa, integrada ao projeto PSIcovidA, contou com 3.828 voluntários recrutados por e-mail, WhatsApp e redes sociais. A maioria dos respondentes era do sexo feminino (67,63%) e afirmou ser branca (66,74%), com predomínio de adultos jovens entre 18 e 39 anos. As classificações demográficas seguiram categorias do IBGE, e a categoria “negros” abrangeu pessoas pretas e pardas. Os participantes também informaram eventuais diagnósticos prévios de transtornos mentais, como depressão, ansiedade ou transtorno bipolar.

Método e medidas

Para analisar os dados, a equipe utilizou técnicas de aprendizado de máquina, optando pelo modelo Multiple Kernel Learning (MKL), que integra várias fontes de informação e facilita a interpretação dos fatores associados. Entre as variáveis incluídas estavam sintomas de depressão, sensação de solidão, nível de otimismo e experiências adversas na infância. A ideação suicida foi avaliada por uma pergunta direta sobre pensamentos de morte ou autolesão nas últimas duas semanas; qualquer resposta diferente de “nenhuma vez” foi considerada indicativa de risco, conforme protocolos científicos adotados.

Principais achados

Os sintomas depressivos apareceram como o preditor mais forte de ideação suicida, mas não explicaram o fenômeno por completo. Fatores como otimismo, solidão e maus-tratos emocionais na infância também tiveram importância relevante na classificação dos casos, respondendo por cerca de metade da explicação fornecida pelo modelo. Em particular, experiências de abuso ou negligência emocional na infância representaram cerca de 22% do peso total no modelo.

O otimismo se destacou como fator de proteção: níveis mais altos de otimismo reduziram a probabilidade de ideação suicida no modelo analisado. Já a solidão, entendida como sensação de falta de companhia mais do que o isolamento físico, apareceu como indicador associado a maior risco.

Implicações e limitações

Os autores destacam que os achados apontam para a necessidade de abordagens mais amplas do que a avaliação centrada apenas na depressão ao identificar risco de ideação suicida na comunidade universitária. Entre as implicações citadas estão protocolos de rastreamento mais abrangentes e intervenções que promovam sentimento de pertencimento e otimismo. Como limitações, o estudo ressalta o delineamento transversal, que impede inferências causais, e a limitada generalização dos resultados devido à amostra restrita ao contexto acadêmico e ao período da pandemia.

Ao final da participação, todos os voluntários receberam orientações e contatos para apoio psicológico.

Autores participantes: Priscila Maria de Oliveira da Fonseca (Uerj), Débora Christina Muchaluat Saade (UFF), Isabel de Paula Antunes David (UFF), Eliane Volchan (UFRJ), Fátima Erthal (UFRJ).

Financiamento: Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Financiamentos individuais citados no estudo incluem FAPERJ, CAPES e CNPq conforme indicado pelos autores.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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