Pressão no orçamento leva americanos a mudanças drásticas
Quem: famílias e trabalhadores americanos; o que: adoção de múltiplos empregos e cortes de gastos; quando/onde: segundo semestre de 2026, em estados como Tennessee, Califórnia e Utah; por quê: aumento generalizado dos preços, incluindo combustíveis e alimentos.
Depois das aulas, Vaughn segue para o segundo emprego; o filho de cinco anos costuma acompanhá-la, o que reduz a necessidade de creche. “Já fiz coisas incrivelmente insanas para sobreviver”, diz ela, que chegou a trabalhar como modelo de mãos para uma joalheria local, vender itens em grupos de troca no Facebook, revender roupas em plataformas como ThredUp e Poshmark e escrever obituários para complementar a renda. Mesmo com essas atividades, a renda adicional não tem sido suficiente.
Entre as decisões recentes da família está colocar a criança para comprar almoço na escola diariamente, opção que, segundo Vaughn, saiu mais em conta do que levar comida de casa. Ela também cancelou uma viagem à Flórida para visitar os pais devido ao alto custo da gasolina. Outros aumentos, como no seguro, também pressionaram o orçamento familiar: “O custo de tudo está absurdo. Gasolina para ir trabalhar, meu seguro aumentou, alimentar dois filhos e um marido. É demais”, afirma.
Punal Bhavsar, de 39 anos, também relata dificuldades. Ele acreditava que 2026 seria o ano para economizar e tentar comprar uma casa, contando com eventual queda das taxas de juros, mas diz que isso já não parece provável. Bhavsar cita especialmente o preço da gasolina como fator decisivo: dirige um carro que exige gasolina premium, que na Califórnia chega a quase US$ 6 por galão (valor aproximado de R$ 8 por litro).
Com as eleições de meio de mandato se aproximando, Bhavsar afirma que a questão dos preços dos combustíveis pode influenciar seu voto: “Para mim, os preços da gasolina simplesmente precisam ficar sob controle.” Seu diagnóstico pessoal encontra respaldo em pesquisas: o Índice Gallup de Confiança na Economia, que varia de -100 a +100, registrou -40 em setembro.
No âmbito da alimentação, Caitlin Green, que mora em Utah, conta que o aumento nos preços tornou difícil seguir recomendações antigas de economizar com carne moída. Ela lembra ter pago US$ 4,40 por quilo no passado e agora chegar a pagar US$ 17,60. A família passou a optar por alternativas como frango ou peru moído e viu as despesas com supermercado subirem de cerca de US$ 200 para US$ 400 mensais.
Pesquisas externas ilustram a percepção generalizada: em levantamento do jornal The Guardian realizado no meio do ano, 95% dos entrevistados disseram acreditar que os Estados Unidos enfrentam uma crise no custo de vida. No cenário oficial, o índice de preços ao consumidor mostrou que, nos 12 meses até setembro, os preços subiram 3,7%, ante 3,4% nos 12 meses até agosto, segundo números publicados na quarta-feira (14/10).
O aumento dos preços do óleo diesel e da gasolina contribuiu para elevar o custo de vida e repercutiu em decisões cotidianas de famílias em diferentes regiões do país, que têm buscado alternativas para reduzir despesas ou aumentar a renda.
Fonte: G1


