Celular reconfigura relações entre pais e filhos
A convivência com smartphones alterou a rotina de adolescentes e provocou novas tensões entre gerações, aponta a série Essa Tal de Adolescência. Especialistas ouvidos na produção ressaltam que a presença contínua de dispositivos móveis mudou a maneira como jovens se relacionam com amigos, parentes e consigo mesmos, e que a pandemia intensificou esse processo ao interromper experiências sociais essenciais durante a transição da infância para a adolescência.
Proteção, isolamento e rotina
Em relatos de famílias, o celular também funciona como instrumento de proteção. Cilene, mãe de um adolescente, explica que, por causa da violência na comunidade onde mora, prefere que o filho fique em casa e esteja sempre conectado. Ela estima que o jovem passe de seis a sete horas por dia usando o aparelho. Para especialistas, a atual geração cresceu dentro de um ambiente digital e, com o isolamento imposto pela pandemia, a dependência das telas aumentou justamente no período em que os jovens deveriam ampliar suas trocas sociais.
Projetos que incentivam o encontro presencial
Em Recife, um projeto social que atende adolescentes há 25 anos adotou política de deixar os celulares desligados durante as atividades, com o objetivo de desacelerar e promover encontros presenciais. Jemerson, de 12 anos, participante da iniciativa, relata que deixou de ser tímido e criou vínculos no grupo.
Comunicação em crise e representações artísticas
Estudantes de uma escola do Rio de Janeiro produziram um curta-metragem sobre a dificuldade de diálogo entre mãe e filha adolescente. As autoras afirmam que a temática nasceu de vivências pessoais e que a obra emocionou famílias que se reconheceram na narrativa. Uma das estudantes comentou que a imersão no mundo virtual cria distanciamento nas conversas com os pais.
Redes sociais e pressão por aparência
Especialistas e adolescentes entrevistados apontam que as redes multiplicaram a pressão por aceitação, sobretudo entre meninas, que lidam com comparações constantes com padrões de beleza exibidos online. Uma jovem relatou ter sofrido bullying na infância e que hoje evita postar fotos sem filtros ou maquiagem. Profissionais alertam para a associação entre uso frequente de filtros, transtornos de imagem e maior risco de depressão na adolescência.
Desafios para manter o diálogo
Figuras públicas como a atriz Ingrid Guimarães e a filha Clara mencionam que a comunicação entre mãe e filha funciona, mas enfrenta ruídos geracionais. Para especialistas ouvidos pela série, lidar com a adolescência em um cenário dominado por telas exige dos adultos mais escuta e acolhimento. Uma entrevistada resumiu a orientação: olhar o adolescente com gentileza e afeto. Exames citados na reportagem também apontam diferenças entre o cérebro adolescente e o adulto, sem detalhar resultados.
Em um contexto marcado por algoritmos, telas e comparações, pesquisadores e profissionais consultados defendem que fortalecer vínculos familiares e criar espaços de conversa permanece entre as ferramentas centrais para atravessar essa etapa da vida.
Fonte: G1 – Fantástico


