Um levantamento da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira (27) indica que, no cenário de um El Niño forte, a produção brasileira de soja na safra 2026/27 poderia cair cerca de 10%, passando de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas. A projeção avaliou os possíveis impactos do fenômeno climático sobre as principais regiões produtoras do país.
Segundo o estudo, a área plantada deve crescer em 900 mil hectares em relação à safra anterior, um aumento de 1,8%, chegando a 49,9 milhões de hectares. Ainda assim, a combinação de menor disponibilidade de chuva e temperaturas mais altas pode reduzir a produtividade das lavouras, anulando parte do ganho de área.
Regiões mais afetadas e avanço do plantio
A Serasa aponta que as maiores perdas ocorreriam no Centro-Oeste. Em seu cenário, Mato Grosso poderia reduzir a produção em 9,7 milhões de toneladas e Goiás em 4 milhões de toneladas. O estudo também indica queda de produtividade em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão.
O levantamento foi divulgado enquanto o plantio avança rapidamente em várias partes do país, exceto no Sul, onde o excesso de chuva tem retardado os trabalhos. Dados da AgRural divulgados na segunda-feira apontam que 40% da área estimada para a soja já havia sido plantada até a última quinta-feira.
Risco climático durante o desenvolvimento da safra
Para Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, o risco associado ao El Niño deixou de focar apenas no plantio e passou a abranger a distribuição de chuvas ao longo do desenvolvimento das lavouras. Ele afirmou que produtores aproveitaram a segunda quinzena de outubro para adiantar plantios, o que trouxe uma situação de normalidade em Mato Grosso, mas ressaltou que o risco não desapareceu.
Oliveira destacou que o clima ainda precisará ser favorável ao florescimento e à formação dos grãos em novembro e dezembro em estados relevantes para a produção.
Impacto econômico e histórico
No cenário de queda de produtividade, a Serasa estima prejuízos ao setor de até R$ 33 bilhões, considerando preços de agosto. A empresa ressalta que uma oferta menor tende a pressionar as cotações, o que pode alterar as condições de comercialização.
Na última ocorrência de El Niño forte, a produtividade média da soja brasileira caiu mais de 8% em 2024, para 3.282 quilos por hectare, em comparação com 2023, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os efeitos do fenômeno não seriam uniformes: a Serasa projeta que o Rio Grande do Sul poderia elevar a produção em 5,5 milhões de toneladas, enquanto, no pior cenário mapeado, 13 estados teriam perdas de produtividade e quatro unidades da federação poderiam registrar pequenos ganhos.
Fonte: G1


