Uma sequência de notícias contraditórias marcou a terça-feira (27) sobre o paradeiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A Polícia Federal cancelou os passaportes do parlamentar depois que ele não atendeu à determinação de entregá-los, enquanto reportagens argentinas alegaram que ele teria cruzado a fronteira e embarcado em um jato privado com destino aos Estados Unidos. Até o momento não há registro oficial que comprove a saída do senador do Brasil.
Relato do jato e movimentação em Puerto Iguazú
O veículo Infobae informou que o embarque teria ocorrido em Puerto Iguazú, na província de Misiones, com partida prevista às 2h (horário local). Segundo a reportagem, o senador teria usado a carteira de identidade para atravessar a fronteira. O avião citado é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, fabricado em 2004, com 14 assentos, pertencente à empresa argentina Baires Fly S.A., registrada em 25 de setembro de 2020.
Relatórios públicos de rastreamento de voos mostram que um Gulfstream G400 vinculado à Baires Fly pousou em Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira; contudo, não havia registro de decolagem até o início da tarde de terça. Plataformas de rastreamento nem sempre capturam todos os voos privados.
Verificações de autoridades e declarações
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou não ter registro de entrada do senador no país e disse ter intensificado fiscalização da aeronave e de sua tripulação diante do “frenesi midiático”. A Casa Rosada também afirmou não ter registro de chegada de Flávio, e policiais federais em Foz do Iguaçu disseram não ter encontrado passagem dele pela fronteira.
O piloto Mauro Mattosinho relatou ao R7 ter sido informado por funcionário do aeroporto que o nome do senador constaria em uma lista de passageiros de um voo executivo em Puerto Iguazú. A colunista Mônica Bergamo divulgou que aliados do parlamentar teriam sido avisados de uma suposta fuga. Além disso, o grupo Itatiaia noticiou dificuldade de contato entre advogados e Flávio, e a CNN Brasil afirmou que havia agendamento de encontro com ele pela manhã.
Passaportes cancelados e apuração judicial
O prazo estabelecido para a entrega dos passaportes terminou às 11h desta terça, sem que os documentos fossem apresentados. Em razão do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes e comunicará ao ministro Alexandre de Moraes sobre a medida. A investigação segue para apurar se houve saída do território nacional em desobediência à ordem judicial.
Investigações que motivaram a ordem
Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Um apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, com investigações ligadas a empresas do advogado e ao setor de apostas. O outro inquérito investiga eventuais irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades em ambas as investigações.
Contexto político e posicionamentos
Os eventos ocorrem após o segundo turno realizado no domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro — diferença superior a 4,4 milhões de votos. Na mesma noite, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes e ficasse impedido de deixar o país.
Na segunda-feira (26), Flávio publicou vídeo afirmando que agentes da PF o abordaram ao sair da casa do pai, em Brasília, para comunicar a decisão; classificou a medida como intimidação, disse que nunca pensou em sair do país, prometeu entregar os documentos e declarou que organizaria a oposição ao novo governo. Em seu primeiro pronunciamento após a apuração, ele antecipou que pedirá a anulação da eleição, alegando que a extensão do horário de votação teria favorecido Lula. Ainda assim, o Partido Liberal reconheceu publicamente a vitória do presidente nesta terça.
O caso também traz menção a Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos mesmo com mandado de prisão no Brasil. Eduardo teve o mandato de deputado federal cassado e foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o que a imprensa denominou de ações relacionadas aos Estados Unidos; na semana anterior, ele chegou a afirmar que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição.
Por ora, a hipótese de fuga permanece sem confirmação oficial das autoridades argentinas ou brasileiras, e as apurações sobre eventuais deslocamentos do senador continuam em andamento.
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