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quinta-feira, outubro 29, 2026

Questões consideradas fáceis do Enem 2025 registraram altos índices de erro entre alunos da rede privada, aponta levantamento

Levantamento e metodologia

Um estudo da Geekie Educação, com dados oficiais do Enem 2025 fornecidos pelo Inep, mostra que alunos de escolas privadas tiveram taxas de erro relevantes em questões consideradas fáceis do exame. A amostra analisada contemplou 240.131 estudantes da rede privada e 934.103 da rede pública, totalizando 1.174.234 participantes incluídos na pesquisa. Os alunos da rede privada representaram 20,4% desse total.

Embora a rede privada tenha apresentado índices de acerto superiores aos da pública nos itens destacados, os percentuais de erro chamam atenção por se referirem a questões avaliadas como de menor grau de dificuldade.

Áreas e itens com maior índice de erro

Em Ciências da Natureza, a maior taxa de erro ocorreu na questão 102 do caderno azul: 45,67% dos estudantes da rede privada assinalaram resposta incorreta (54,33% acertaram). O item exigia identificar uma ação a partir das informações do enunciado. Segundo Luiz Felipe Mod, especialista em Sucesso Pedagógico da Geekie Educação, a prova pede também habilidade para ler fórmulas, gráficos, tabelas e unidades e recomenda que o candidato entenda o que o item solicita antes de iniciar cálculos.

Em Ciências Humanas, a questão 65 do caderno azul teve 43,9% de erros entre os alunos de escolas particulares (56,1% de acertos). O item abordava conceitos de filosofia moral e ética e pedia relacionar um comportamento descrito no texto ao conceito de altruísmo. Vinicius Barcala, especialista em Ciências Humanas da Geekie, destacou que buscar palavras-chave isoladas pode levar ao erro e que é preciso conectar o relato ao conceito filosófico apresentado.

Na área de Linguagens, a questão 31 do caderno azul registrou 43,63% de erro entre estudantes da rede privada, com 56,37% de acerto. O enunciado exigia interpretar um texto sobre o impacto das tecnologias nas interações humanas. Silvia Brandão, especialista em Linguagens da Arco Educação, explicou que muitos candidatos podem ter focado em um conceito pontual em vez de captar a ideia geral do texto, o que favoreceu o distrator mais escolhido.

Em Matemática, a questão 179 do caderno azul apresentou 32,84% de respostas incorretas entre os alunos da rede privada (67,16% acertaram). O item pedia identificar a unidade de medida da iluminância a partir dos dados do enunciado. Lilian Farias, especialista em Sucesso Pedagógico da Geekie, apontou que a aparência das alternativas e expressões matemáticas presentes podem intimidar o candidato, mesmo quando não são necessários cálculos complexos.

Interpretação do desempenho e a TRI

A análise ressalta que a Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizada na correção do Enem, privilegia a coerência do padrão de acertos do estudante. Espera-se que candidatos capazes de resolver questões difíceis também acertem itens mais fáceis; discrepâncias nesse padrão podem influenciar a estimativa de proficiência. Especialistas consultados pela Geekie observam ainda que nem sempre o erro decorre de desconhecimento de conteúdo — interpretar o enunciado e relacionar elementos dentro da própria questão são competências fundamentais para a resolução correta.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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