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quarta-feira, novembro 4, 2026

Mercados de previsão que registraram mais de US$ 1,48 bi em apostas testam credibilidade nas midterms dos EUA

Mercados de previsão sob pressão nas midterms

As eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos colocam em xeque a confiabilidade dos chamados mercados de previsão. Kalshi e Polymarket, que juntas já movimentaram cerca de US$ 1,48 bilhão (R$ 8,13 bilhões) em apostas eleitorais, precisam demonstrar precisão após ganhar relevância em 2024 por preverem a vitória de Donald Trump, em contraste com pesquisas tradicionais.

Dados compilados pela BetInt na terça-feira (3) indicavam 94% de probabilidade de os democratas obterem maioria na Câmara dos Deputados e 75% de ficarem com o Senado. Apesar de acertos históricos, as plataformas também registraram equívocos notórios em primárias nos EUA e na eleição presidencial do Brasil, o que aumenta o risco reputacional caso resultados das midterms se afastem significativamente das probabilidades exibidas.

Volume financeiro e concentração de apostas

Na véspera, a Kalshi informou ter movimentado US$ 1,33 bilhão em apostas relacionadas às midterms, enquanto a Polymarket acumulava cerca de US$ 145 milhões, segundo levantamento da organização Anti-Corruption Data Collective (ACDC). Mais de 28 mil mercados foram abertos para as eleições, mas boa parte do dinheiro concentra-se em disputas específicas, como as corridas ao Senado no Texas, Michigan, Maine e Carolina do Sul.

Exemplos citados pelas análises mostram mercado no Texas com 71% de chance apontada para o democrata James Talarico sobre o republicano Ken Paxton, uma disputa que, conforme a ACDC, já reuniu mais de US$ 60 milhões. Em Michigan, mercados indicavam 78% de probabilidade de vitória do democrata Abdul El-Sayed contra o republicano Mike Rogers, com mais de US$ 20 milhões apostados naquela corrida.

Riscos de manipulação e controles adotados

Além do volume recorde de recursos, as plataformas enfrentam questionamentos sobre possíveis manipulações e condutas indevidas. Candidatos chegaram a apostar nas próprias disputas, e estudos da ACDC apontam que apostas relativamente pequenas podem ter impacto nesses mercados. Em resposta, as empresas dizem ter reforçado controles: a Kalshi, por exemplo, proíbe políticos e membros de campanhas de apostar.

Representantes do setor afirmam ainda que preços nos mercados se ajustam rapidamente quando apostas de grande monta alteram probabilidades. Sean Patrick Maloney, presidente-executivo da Coalizão para Mercados de Previsão, reconhece imperfeições, mas defende que essas plataformas oferecem uma forma imparcial de prever eventos em meio a informações tendenciosas.

Avaliação acadêmica sobre a precisão

Estudos acadêmicos trazem avaliações mistas. Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt publicada em 2025, que analisou quase 2.500 mercados vinculados às eleições de 2024, concluiu que as probabilidades apresentadas eram, em geral, bem calibradas — ou seja, condiziam com os resultados observados. Contudo, o estudo ressalta que essa calibração não prova eficácia nas disputas muito acirradas.

Especialistas citados no levantamento destacam também o papel de um pequeno grupo de apostadores experientes, que, ao direcionar grande parte do capital, usam pesquisas e dados para ajustar preços dos mercados. Mesmo assim, reconhecem que até esses operadores podem cometer erros, como ocorreu em previsões para eleições recentes.

A notícia segue sem desdobramentos adicionais até o fechamento dos resultados das midterms.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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