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quarta-feira, novembro 4, 2026

9 desafios do português que mais atrapalham estudantes estrangeiros, apontam professores e alunos

Principais obstáculos ao aprender português, segundo alunos e especialistas

Estrangeiros que estudam português relatam dificuldades que vão desde sons que não existem em suas línguas nativas até regras gramaticais pouco intuitivas, segundo entrevistas com alunos e explicações de professores ouvidos em reportagem do G1 publicada em 4 de novembro de 2026.

A americana Courtney Novak, que viralizou ao descobrir a obra Dom Casmurro, descreve a dificuldade com o som de “trabalha”: “Faço uma aula por semana, e a palavra que aparece sempre e que eu não sou capaz de falar é TRABALHA. Troubala? Troubaya? Simplesmente, não consigo fazer minha língua produzir esse som”. Courtney também relata encontrar dificuldade para acompanhar a fala rápida de personagens de Avenida Brasil.

Professores entrevistados apontam a natureza flexional do português como um fator central. Paola Mandalá, coordenadora do centro de línguas e professora de português para estrangeiros na Universidade de São Paulo (USP), observa que o idioma apresenta muitas formas verbais — citando as seis formas do presente e vários tempos do passado — o que complica o aprendizado em comparação com línguas de menor flexão, como o inglês.

O material didático e a exposição à língua formal também aparecem como limitações. Wellington Souza, criador da iniciativa WS português, afirma que áudios e exercícios muito formais não preparam alunos para as reduções e junções típicas da fala coloquial, e por isso produz conteúdos que mostram, em seguida, a versão pausada das falas para tornar as fronteiras entre palavras mais claras.

Especialistas organizam as dificuldades em grupos. No plano fonético, destacam-se:

• Vogal nasal “ão”: palavras como “não”, “pão”, “irmão” são difíceis para falantes de espanhol, inglês e outros idiomas sem vogais nasais, porque a articulação exige escape de ar pela boca e pelo nariz.

• Sons abertos e fechados de vogais: contrastes como “dó”/“do” ou “avó”/“avô” tendem a confundir hispanofalantes e falantes de línguas eslavas, que não distinguem nesses termos o som aberto.

• Sequências “lh” e “nh”: palavras como “trabalho”, “mulher” e “amanhã” exigem articulação palatal; falantes de inglês ou francês frequentemente substituem por sequências como L+Y ou N+Y.

• “R” brando: o R intervocálico em “caro” exige um bater rápido da ponta da língua; falantes de línguas com R gutural (francês, alemão) tendem a produzir um som diferente.

No campo gramatical, aparecem como complicações:

• Preposições: escolhas como “gostar de”, “trocar por”, “assistir ao” não seguem uma lógica única e exigem memorização e prática.

• Gênero arbitrário: a atribuição de masculino ou feminino a substantivos (por exemplo, “a mesa” vs. “o mapa”) não segue regra geral, gerando erros mesmo entre falantes de línguas com gênero.

• Verbos irregulares: a grande flexão verbal do português inclui muitos verbos irregulares; professores apontam exemplos como “comi” (em vez de *comei) e formas irregulares de “medir” e de particípios.

Por fim, a vida real coloca outros desafios: a velocidade da fala e as elisões — que transformam “você está” em “cê tá” ou “para” em “pra/pa” — e a ampla variação regional do Brasil. Regina Sellan, professora de tradução de português para estrangeiros na PUC-SP, relata casos de alunas que aprenderam com sotaques regionais diferentes e, ao mudar de cidade, encontraram um português distinto do que haviam estudado.

Wellington cita materiais que usam cenas de programas e novelas com falas variadas como forma de expor alunos a diferentes registros e sotaques, exemplificando que esse tipo de recurso pode representar melhor a diversidade do português brasileiro do que os livros tradicionais.

Para mais detalhes, a reportagem original está disponível em G1.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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