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terça-feira, maio 5, 2026

Especialistas alertam que abandono da escrita manual pode provocar “crise de inteligência”

Quem: A especialista em neuropsicologia e psicopedagogia Adriana Fóz e a pesquisadora de tipografia e design Edna Lúcia Cunha Lima.

O que: Elas afirmam que o desuso da escrita à mão representa um risco para processos cognitivos e pode levar a uma “crise de inteligência”. A discussão envolve ainda estudos científicos, experiências educativas em outros países e relatos de quem mantém o hábito manual.

Quando/onde: O alerta ocorre em meio a debates recentes sobre o ensino e o uso da escrita manual, com referência a um estudo norueguês de 2024 que apontou que a escrita manual estimula regiões cerebrais importantes para o aprendizado.

Como: Segundo Adriana Fóz, a escrita à mão desacelera o cérebro e favorece maior profundidade de pensamento, além de treinar habilidades que, na avaliação dela, não são exercitadas da mesma forma no ambiente digital. “Vai haver uma crise de inteligência”, diz Adriana.

Edna Lúcia Cunha Lima acrescenta que o processo de abandono da escrita manual indica uma perda de espaços ligados à experiência humana: “A gente está perdendo espaço de ser humano”. Ela destaca ainda o desafio de manter a prática num contexto de ampliação das ferramentas digitais e da inteligência artificial, que transformam a personalização de documentos e podem reduzir a importância de gestos como a assinatura.

Países como Suécia, Finlândia e Estados Unidos chegaram a testar a redução do ensino da escrita manual nos currículos, mas acabaram recuando, segundo as fontes. Em 2024, estudo norueguês mostrou que a prática manual ativa áreas do cérebro essenciais para o aprendizado.

Estudante de arqueologia e literatura, Isadora Gadagnotto Moraes diz que precisa do componente visual da escrita para entender melhor os conteúdos: “Eu preciso muito desse visual para entender a matéria. Então, se ela está bonita e organizada, eu consigo entender melhor. Eu acho que, quando a gente digita, a gente faz muito rápido e acaba perdendo.”

O texto desta reportagem foi inicialmente redigido em um laptop e depois transcrito à mão para um caderno, ilustrando a proposta de coexistência entre meios digitais e a escrita manual. Para os especialistas, a questão não é negar avanços tecnológicos, mas preservar a prática manual sem que ela seja completamente esquecida.

A caligrafia também é tratada como forma artística por profissionais como a designer gráfica Lisa Seiler, que ministra aulas e cria peças coloridas feitas à mão. “Tenho esperança de que justamente esse aspecto artesanal passe a ganhar um pouco mais de importância por causa da IA… Peças únicas, ou seja, algo feito à mão, isso é algo que a IA não consegue”, afirma Lisa.

Quando foi a última vez que você escreveu à mão?

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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