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terça-feira, maio 5, 2026

Ex-diretora do WhatsApp no Brasil lança ONG para recolher denúncias contra big techs

Uma nova organização não governamental foi criada para receber denúncias relacionadas a práticas de grandes empresas de tecnologia. Batizada de CTRL+Z, a iniciativa oferece a usuários apoio jurídico gratuito em casos envolvendo plataformas como Instagram, Facebook, Google e X, e também abre canal para que funcionários dessas companhias relatem condutas internas ainda não tornadas públicas.

Como funciona

O registro de denúncias é feito sem custo por meio do formulário disponível em https://ctrlz.org.br/add/. Segundo as fundadoras, as pessoas devem informar o nome da plataforma, descrever o problema e detalhar se houve contato prévio com a empresa e qual foi a resposta. É possível anexar provas e fornecer dados pessoais, como nome, cidade e e-mail. No final do formulário, o denunciante pode autorizar contato de um advogado e optar pela divulgação pública do caso.

A ONG afirmou que optou por não empregar serviços de formulários fornecidos por empresas de tecnologia — como Google Forms ou Microsoft Forms — para evitar que essas companhias tenham acesso ao conteúdo das denúncias. Em vez disso, a plataforma utiliza criptografia de ponta a ponta para proteger as informações, garantindo que apenas remetente e destinatário possam acessar os dados enviados.

Além do atendimento a usuários, a CTRL+Z lançou o programa #VazaBigTech para incentivar que funcionários enviem relatos e documentos sobre decisões que considerem arbitrárias ou negligentes e de interesse público. As fundadoras destacam que a ferramenta aceita denúncias anônimas e que o anonimato total é assegurado, em especial, quando o envio é realizado por meio do navegador Tor, que dificulta o rastreamento online.

A organização está em fase de testes, o que, conforme as responsáveis, pode significar demora no suporte inicial. As jornalistas Tatiana Dias e Daniela da Silva são as idealizadoras do projeto e já montaram uma equipe de advogados para atuar nos casos; escritórios de advocacia teriam demonstrado interesse em firmar parcerias.

Contexto da criação

Daniela da Silva foi diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. Ela deixou a Meta no início de 2025 após anúncio de Mark Zuckerberg sobre o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e direcionamentos públicos da empresa que, segundo ela, desviaram dos valores que orientavam seu trabalho. Em publicação no LinkedIn, Daniela comunicou sua saída e, em seguida, decidiu criar a ONG. Ela afirmou que a demissão foi inesperada e que sua nova iniciativa também nasce da percepção de insatisfação interna entre funcionários de grandes empresas de tecnologia.

Como exemplo de caso atendido, a ONG citou a recuperação de acesso de um usuário cuja conta do Google, usada por cerca de 20 anos, havia sido suspensa sob suspeita de uso de imagem de exploração infantil, o que comprometeu acesso a serviços e gerou prejuízos econômicos.

A CTRL+Z informa que o objetivo da organização é fomentar mecanismos de responsabilização das big techs e reunir relatos que possam demonstrar práticas com impacto público relevante.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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